Caio Bonatto: tecnologia e sustentabilidade na produção de empreendimentos rápidos

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O CEO da Tecverde, Caio Bonatto, foi o primeiro entrevistado do Construcast de 2020. Confira a transcrição da entrevista completa abaixo. 

Você é uma pessoa que está chegando, é novo ainda, um garoto e com muita história para contar, tanto na área de construção, quanto de captar dinheiro.

Eu sou engenheiro civil, formado pela Federal do Paraná. Meu pai era engenheiro, cresci na praia sonhando em ser engenheiro igual a ele. Meu pai era incorporador, fazia prédio no litoral do Paraná, com uma incorporadora pequena. Para mim, foi uma grande escola, eu vivi aquilo intensamente. Eu entrei na faculdade, venci aquela etapa de entrar na faculdade, para mim era um sonho aquilo. Chegou o final do primeiro ano de faculdade e a única certeza que eu tinha é que eu queria deixar a engenharia civil. E aí eu tranquei a faculdade, tranquei um ano o curso de engenharia civil e fui morar na Nova Zelândia. Na Nova Zelândia eu trabalhei de barman, trabalhei em obra, cheguei a fazer o papel de um vampiro no episódio do Power Rangers, um negócio bizarro que você nunca imaginaria fazer na vida. Quando eu voltei para o Brasil, voltei com a cabeça diferente. Comecei a ver que existiam dois caminhos na verdade, dentro do curso da minha carreira que era ou continuar fazendo a mesma coisa, que sempre se fez, talvez ganhando dinheiro com isso, ou empreender as mudanças que eu gostaria de ver no mundo. Daí comecei a pesquisar o que poderia ser feito, o que a gente gostaria de empreender e, no terceiro ano da faculdade, eu e mais dois amigos de faculdade decidimos fundar um negócio para tornar o setor da construção civil mais industrializado e sustentável. Eu acho que o mais interessante é que a empresa nasceu de um propósito.

A ideia já era fazer em wood frame, em madeira, ou passou por uma fase de teste?

Foi uma consequência. A gente começou a pesquisar tecnologia no mundo todo que a gente poderia usar. A da Federação das Indústrias do Paraná, que liderava a maioria dos exportadores, resolveu apoiar o nosso projeto, levar a gente para a Alemanha e a apoiar a visita à diversas empresas nos Estados Unidos, Canadá, Alemanha que já usavam essa tecnologia e estavam desenvolvendo tanto a tecnologia de produto, como de processo. Foi uma comissão de mais de 20 pessoas para Alemanha e, na volta, a gente voltou com uma parceria com o Ministério da Economia de Baden-Württemberg. E o fato é que eles não sabiam que a TecVerde nem CNPJ tinha, nem empresa existia naquela época. Meu pai, além de inspiração, acabou servindo como uma laranja para a gente fundar o negócio, que era obrigado você ter um engenheiro para fundar uma empresa de engenharia, obviamente. A gente montou então a TecVerde, fundamos em 2009.  

O nome sempre foi TecVerde? Tem alguma história por trás?

O nome sempre foi esse. A gente é uma empresa que tem a industrialização e a sustentabilidade como um propósito, mas com uma pegada muito tecnológica, a gente não acredita no produto tecnológico porque é bonito, porque é legal. A gente acredita que a tecnologia e sustentabilidade é o que pode fazer o nosso setor mais produtivo, mais rentável, mais competitivo. Depois de um ano e meio de transferência de tecnologia, a gente tinha como missão fundar a primeira fábrica aqui no Brasil. Era uma fábrica que o orçamento mínimo para se montar essa fábrica era torno de 10  a 15 milhões reais, na época. A gente não tinha mais do que R$ 250 mil.

Isso foi com voluntário, sem funcionário, em uma garagem?

Então, para transferir tecnologia, a gente contou com 24 pessoas, quase que voluntárias mesmo, no negócio. A gente não tinha os recursos ideais, a gente não tinha as máquinas, a gente não tinha estruturas, a gente não tinha as pessoas, não tinha experiência necessária. Dessas 24 pessoas, só 5 apareceram para trabalhar no dia. E eu tive a missão de buscar os alemães que iriam participar do treinamento, da operação da construção da primeira casa. Tinha projeto e a gente estava terminando, quase que enquanto a gente estava produzindo a casa, o projeto ainda estava molhado. E os caras que ajudaram a gente a montar as máquinas foram os donos do boteco do lado da fábrica porque nem isso a gente tinha, gente para ajudar a montar. E daí quando chegaram os alemães, fui para buscar os caras no aeroporto, o nome da figura era Herman. Eles entraram na fábrica, olharam para a máquina, que era a mais legal ainda que a gente tinha, e falaram "what is this?". E era uma Black & Decker caseira, eu achava aquilo o máximo  eu falei "essa é a máquina que faz o corte da chapa, tal" e ele falou "no, no, no, this is a toy". Ele chutou o pé da máquina, quebrou a máquina e falou "isso é uma fábrica de brinquedo". A fábrica deveria ter uns 500 metros quadrados, a nossa fábrica tinha 500 metros quadrados. E o mais legal é que a gente não se deixou abalar por aquilo. Falei  "beleza, esse alemão está meio puto, mas nós vamos o nosso jeito, vai dar certo esse negócio, vai que dá." Minha namorada na época, acabou virando minha esposa, ajudou a produzir a casa, as namoradas dos nossos sócios... Ela é engenheira também, veio do ramo de construção metálica pesada. Irmão, pai todo mundo ajudou, mas o mais legal é que, depois de 15 dias, a gente conseguiu produzir a casa. Depois de mais algumas semanas, a casa estava montada, três meses depois tinha gente morando na casa. E para nós aquilo foi uma lição de vida.

Foi uma casa pré-fabricada e foi para um determinado local ou já estava no local correto?

Foi uma casa pré-fabricada, foram transportado os painéis, foi montada em um terreno distante da fábrica. Alguém comprou, é óbvio que foi preço subsidiado, os pais de um amigo nosso compraram a casa, mas foi um negócio que mudou nossa vida.. Eu acho que é isso que às vezes falta principalmente para o nosso setor, a gente ter a coragem para sair da inércia. 

Qual é o diferencial da empresa de vocês e de todas as outras que tentaram e não conseguiram fazer essa indústria?

 A gente contou com a ajuda de pessoas que participaram de diversos desses projetos, tipo o Euclesio Finatti, é um cara que ajudou a gente desde o início, já estava mordido por esse bicho porque ele tinha participado da iniciativa.

Mas o que mudou realmente? Ou vamos fazer uma tecnologia, ou não vamos fazer nada. Não é isso?

 Antes da uma resposta mais objetiva, acho que tem um lado mais subjetivo que a gente também acredita bastante que não é apesar dos erros que a gente chegou até aqui ou que determinada solução funcionou. Acho que é graças. A partir do momento em que você muda a cabeça e dá graças aos erros que você cometeu e valoriza mais os acertos, lá na frente você começa a ter um espírito muito mais disposto a errar, a evoluir, a fazer diferente.  Por exemplo, a gente viu que, normalmente, a tecnologia nascia pela baixa renda, porque obviamente é o mercado mais volumoso, tem mais escala. A nossa estratégia já foi diferente, a gente achou que a gente deveria primeiro implementar imóveis para o mercado de média e alta, por alguns anos, para testar tecnologia em uma menor escala, aprender com os nossos erros e gerar referências de qualidade para o setor, que depois acabaram ajudando muito a tecnologia a ter sucesso com o cliente final. A gente viu que muito se fala de preconceito, que o cara falava "a gente tem preconceito a tecnologia nova", tal, a gente foi tentar entender o que era isso, quais eram os receios desse cara. A gente decidiu fazer pesquisa de percepção de valor para acertar na tecnologia que seria mais bem aceito pelo consumidor final. Eu acho que essa foi uma diferença importante em relação aos projetos que tinham sido empreendidos.

Depois da primeira casa, o que aconteceu?

Depois da primeira casa, foi bizarro porque a gente descobriu que era proibido financiar nossas casas no Brasil. Na época existia uma lei nacional, depois fomos descobrir da Febraban, das seguradoras que proibia esse tipo de tecnologia ser financiado aqui no Brasil. E a gente, depois de um trabalho de um ano junto com um dos grandes bancos de varejo, conseguimos com o Santander. O Santander apoiou a gente naquela naquela época através do Altair Assunção e do Fábio Barbosa. A gente conseguiu viabilizar a primeira linha de crédito para as nossas casas. Para o mercado, praticamente, a gente não existia. A gente quase fechou a TecVerde diversas vezes durante os dois primeiros anos porque não existia uma linha de financiamento. Então, o produto estava lá, a fábrica estava lá, a tecnologia, tudo pronto e tinha que mandar as pessoas embora porque não conseguia pagar o salário dos caras para trabalharem na linha de produção. 

 Qual era a capacidade na época, depois da primeira da casa? E a fábrica de 500 m hoje tem quanto?

Dava uma casa por mês. Hoje são 16 por dia. 3600 por ano é capacidade. Hoje a fábrica vai chegar em 10 mil metros quadrados.

E como escalou isso? Como foi essa evolução?

Acho que quando esse ecossistema nem existia, a gente conseguiu iniciar um ciclo e passar pelo círculo completo. A gente fundou o negócio com investidores-anjos, nem sabia que era esse o nome, com mútuo de amigos, de conhecidos. Mais de 20 pessoas fizeram mútuos, family friends. Acho que eram mais louco que a gente, compraram essa ideia. Eu acho que, não por remorso, mas eu acho que o propósito sempre serviu para atrair, não só capital, mas principalmente as melhores pessoas para perto da gente. Nosso propósito era mudar uma indústria. A gente conseguiu trazer os amigos para investir no negócio, contamos com doações de fornecedores nos nossos estoques-piloto, conseguimos um recurso através da Finep, era um edital que chamava Prime. A gente conseguiu R$ 120 mil para o negócio, parte do recurso a gente usou para montar fábrica, contamos com os editais de inovação do SENAI, que naquela época existia um recurso mais abundante para isso. 

Vocês são uma das empresas mais produtivas desse setor no mundo. Como é isso?

A gente conseguiu passar por uma fase de 5 anos com a maquininha crescendo de forma orgânica, e essa é outra lição aprendida que a gente teve como uma startup no setor. Diversos fundos bateram na nossa porta, a gente falamos não e conseguindo crescer no modelo de B2C das casas em condomínios. E, em paralelo, a gente conseguiu homologar tecnologia para casas, para o "Minha Casa, Minha Vida", com recurso nosso. E de repente, a gente se viu numa necessidade de capital para amanhã, assim, porque a dinâmica do "Minha Casa, Minha Vida" era outra. E a gente foi captar recursos com investidores de risco no pior momento possível, quando estava precisando. Saímos com rentabilidade e a TecVerde conseguiu passar pelo ciclo completo: do anjo, vale da morte, atraiu investidor de risco, da saída e a gente continua no barco. A gente acha que o nosso ciclo ainda não terminou, está muito distante ainda de conseguir chegar onde a gente acha que pode chegar com a TecVerde.

O maior contrato que vocês pegaram nesse momento foi da MRV?

Por incrível que pareça, o maior contrato que a gente pegou individual, até hoje, foi um contrato com a Nexa e a Votorantim, produtores de cimento.

A contratação também pode ter sido por causa do propósito?

Propósito e velocidade entrega. Na verdade, a gente está construindo praticamente uma cidade no meio da Amazônia para uma mineradora. Então, acabou que, por uma demanda deles, a gente identificou uma oportunidade de negócio que a gente nunca tinha pensado em fazer obras desse tipo no Brasil.

Hoje são referência mundial em produtividade, em wood frame. Como foi esse processo?

Bom, acho que é sabido que o nosso setor teve a sua produtividade decrescida em quase meio por cento nos últimos 15 anos. A gente já identificava que isso poderia ser uma oportunidade de negócio. Ou as empresas se tornam mais produtivas, ou acho que elas estão fadados a resultados medíocres ou até não existir mais no longo prazo. A gente desenvolveu uma área de PID dentro da TecVerde focada em produtividade. É uma empresa que já era mais produtiva, a gente já economizava. É muito rápida. Não é só para ser mais sustentável, é um método mais produtivo.

No final das contas, o quão mais barato é?

Se você analisa o custo total de uma obra, ela pode ficar entre 10% a 25% mais barata do que uma construção tradicional, os custos dela. Eu acho que o legal de um modelo de negócio como o nosso, eu acho que pode servir para diversas outras empresas, é que para mudar um setor a gente viu a necessidade de somar forças com setor. Então, a gente se posiciona como uma empresa B2B para conseguir fornecer a tecnologia na maior escala possível para player de qualquer porte. Eu acho que o melhor subsídio que o nosso setor pode ter nos próximos anos, é através do aumento de sua produtividade. Se a gente conseguir, com um produtividade a gente reduz os custos, e isso é extremamente possível, acho que consegue ser viável mesmo com os mercados mais econômicos, independente de qualquer subsídio de governo, a gente consegue ser muito mais independente.

 Como aliar essa produtividade e essa indústria que vocês criaram, que é um reloginho que funciona muito bem, com o lado artesanal da obra? 

 Eu acho que isso acontece naturalmente a partir do momento que as duas partes estão focadas em fazer o que fazem melhor. Uma empresa de incorporação, de construção tradicional, nunca vai ser uma empresa boa em desenvolver a tecnologia no Brasil. E a indústria de tecnologia eu acho que nunca vai conseguir, no Brasil, pelo menos, ser boa em desenvolver bons produtos imobiliários, em ter boa relação com as entidades locais, com as instituições locais. E o que falta para isso ganhar uma escala de outra proporção é as duas partes estarem mais engajadas em relações longo prazo. A gente começou atendendo um pequeno, médio, com um empreendimento, com outro empreendimento, sempre para atender soluções muito específicas. Agora a gente conseguiu formar uma carteira e empresas que olharam a tecnologia como um valor estratégico de longo prazo. E as empresas que identificaram isso, acho que estão conseguindo usar a tecnologia da melhor forma possível. E isso tudo está acontecendo no Brasil agora, em tempo real, e eu acho que agora é hora das incorporadoras, que é quem realmente puxa o setor, começarem acreditar de verdade na inovação como um valor estratégico. Não como um diferencial de marketing, mas como algo necessário para a evolução dos seus negócios,  para que eles sejam mais rentáveis. 

 Você sentiu que, obviamente, você foi crescendo, novos contratos apareceram, tiveram as casas de alto padrão, aí você começou a ser abordado por incorporadoras. O pessoal ia te visitar ou você visitava, como era essa recepção no começo? 

Não sei se era uma vantagem ou desvantagem, mas a gente ainda era novo. Tinham caras que viram isso como uma barreira e tinha uns caras que abraçaram a gente igual o filho. Então, a gente tem que ser muito gratos às empresas que acreditaram na gente lá no começo. Graças à essas empresas a gente conseguiu evoluir a solução técnica e tal.

Mudou muito da da primeira casa para agora?

Muito. O nível de industrialização da tecnologia antes era de 40%, a gente male, male fazia quase que só estrutura na fábrica, um parte do fechamento. Hoje são todas as janelas, todas as instalações elétricas, hidráulicas, comprar marco de porta, telhado, vai tudo pronto de de fábrica, parte de revestimentos vão prontos de fábrica. Acho que um valor importante para um empreendedor, principalmente no nosso setor, é ter humildade. Acho que a gente tem que ser bom identificar aquilo que se consegue fazer melhor e aquilo que a gente não faz bem, conseguir escutar o mercado, aprender com mercado. Eu acho que, pelos valores da própria empresa, a gente conseguiu preservar isso, sempre estar muito aberto a ouvir, acho que isso foi importante.

 A barreira cultural do consumidor final de ter uma casa de madeira, como que você vê isso? Quantas casas vocês já entregaram?

A gente já entregou mais de 3.500 casas, desde o sul do Rio Grande do Sul até o Mato Grosso, passando por todos os estados. E na verdade, o consumidor lá na ponta está preocupado com o valor da parcela, com a localização do imóvel, se naquela região vão ter serviços comunitários, se não vai ter. Então, não existe barreira. E eu acho que é um pouco do nosso mérito de ter identificado o que poderia ser barreira lá atrás e ter trabalhado nessa soluções desde o dia zero. A nossa concorrência é a construção tradicional. As soluções, mesmo parede de concreto, steel frame, qualquer outra solução que existe, são como aliados. Acho que está todo mundo na mesma missão de tornar setor mais industrializado e sustentável.

Qual que é o desafio da TecVerde para os próximos anos? O que você vê de desafio tanto de produto, de tecnologia?

Acho que o nosso maior desafio é conseguir construir bons laços com mercado, construir laços com engajamento de médio e longo prazo. Acho que para você desenvolver tecnologia e investir pesado em tecnologia, se você viver de oportunidades quase que oportunistas de ciclos muito curtos, o negócio não para de pé, é muito arriscado, é muito imprevisível. 

O que você teve que desapegar para você ter essa história de sucesso?

Primeiro do medo de errar, de ser jovem, empreender enquanto jovens no nosso setor, eu morria de medo disso. Achava que ninguém iria me respeitar, ninguém iria acreditar e eu tive que realmente me desapegar disso. E outra, tive que me desapegar da construção tradicional. Era tão mais fácil continuar fazendo a mesma coisa, mas tão mais fácil, que talvez se eu soubesse do jeito que iria ser, talvez eu não tivesse me desapegado.

Seus sócios continuaram com você nessa jornada? São os mesmos?

Praticamente os mesmos. Eu acho que o time sempre foi muito bom, a gente sempre conseguiu lidar muito bem com as nossas diferenças e estarmos muito unidos pelo nosso propósito. É um time totalmente complementar.

 Como foi a histórias do time que você formou seu time com teus colegas de engenharia, aí trouxe alguém da tecnologia automotiva?

Não fui eu quem trouxe, acho que foi o destino que nos colocou juntos. Tem o Zé Márcio, que é um cara que era da indústria automobilística. Tinha acabado de construir a casa dele, daí viu o inferno que era e falou "acho que tem uma oportunidade aqui de industrializar esse setor". Ele foi pesquisar o que existia e cada uma pessoa que ele chegava acabava indicando ele a conversar com a TecVerde. Eu me lembro que a primeira conversa que a gente teve foi num banquinho, em uma fábrica toda empoeirada lá. Depois a gente falou "o que esse cara está querendo fazer aqui, será que o cara está querendo copiar nossa tecnologia?", muito receio, mas abrimos tudo que a gente estava fazendo. Depois de mais ou menos seis meses, um ano, o cara saiu da Volvo para empreender junto com a gente. Levou empresa para outro nível.

Nesse processo todo, o que você repetiria, que deu certo, e o que você não repetiria? 

Eu acho que não tem absolutamente nada que eu não repetiria. E o que talvez eu intensificaria fosse a atenção às pessoas. Acho que eu demorei a entender quando se falava de que um negócio é feito de gente, tem que gastar meu tempo com gente, eu demorei entendeu que significava de verdade. 

Um projeto bem legal que a gente tem acompanhado aqui, uma startup que a gente tem um carinho imenso, que é a Homeland, do Guilherme. Você pode contar também um pouco desse projeto com ele que você está fazendo o piloto?

O Guiga, além de um parceiro de negócio, ele foi um baita mentor meu, é um desses caras que a gente tem a sorte de ter encontrado e talvez possa dizer que tenha mudado a minha vida depois de ter conhecido o cara, como ele pensa, como ele enxerga mercado, como enxerga um negócio. E junto com ele a gente está, junto com ele, com o Felipe Nobre, a gente está construindo um negócio para construir casas em loteamentos, condomínios que ainda estão com lotes vazio. A gente viu que é um universo inteiro de loteamentos ainda com lotes que ainda não foram construídos. Com a tecnologia construtiva, com padronização de produto, com velocidade entrega a gente consegue oferecer uma solução mega competitiva do produto, da casa pronta para o cara morar junto com financiamento. O que a gente está fazendo é tentando dar justamente a solução, o cara conseguir acessar um crédito, a gente constrói a casa no terreno que ele já comprou e depois ele refinancia isso pelo resto da vida, quase. Isso muda vida do cara. Acho que reduz o risco dele, ocupa o roteamento, valoriza os lotes remanescentes. 

Como é está o mercado imobiliário para futuro? 

Eu acho que é um momento do mercado imobiliário que mais do que nunca inovar, ser produtivo, não é uma uma oportunidade de diferenciação, é uma necessidade de sobrevivência. Eu acho que tem uma infinidade de oportunidades para serem desenvolvidas no nosso setor nos próximos anos e gente acredita muito que a gente tem empreendedores de qualidade para fazer isso acontecer no Brasil. Eu acho que o desafio que a gente lança aqui é a cadeia acreditar nessas oportunidades, nesses empreendedores e abraçarem esses empreendedores porque esses caras vão construir um futuro dos seus negócios.

 Como é que é a sua vida no dia-a-dia, a sua rotina?

A minha rotina, depois de passar por alguns colapsos nervosos quase, a gente aprendeu que não existe uma linha de chegada, não tem. No nosso setor, a gente precisa curtir mais essa jornada. E a gente fez uma mudança bem interessante de mindset na empresa há 5 anos atrás: a gente introduziu todos os nossos valores a um negócio que chama "Do Jeito TecVerde" que é "Busque o novo, Faça a diferença, Não desperdice e Divirta-se" e a gente leva a sério para caramba o divirta-se. E a gente implementou um programa também de mindfulness, de meditação na empresa inteira, até o chão de fábrica pratica meditação. 

E como que é isso, em um setor tão tradicional você chegar para o cara e falar "agora vamos começar a meditar"?

Isso é interessante porque quando a gente desenvolveu o método, hoje em dia tem até um indicador de felicidade na empresa, indicador de inteligência positiva, mas quando a gente foi implementar isso, a gente sabia qual que era todo o background científico por trás, mas o time não sabia. E quando chegou o consultor, ele chegou com aqueles kimono oriental, com botão diferenciado, com dragão e eu pensei "se esse cara aparecer ali, acabou, vamos vestir esse cara de engenheiro". A gente botou um capacete no cara, uma camisa xadrez com bolso, uma caneta e o maço de Marlboro. Treinamos todo time de gerente, os analistas, depois a gente replicou isso para fábrica. Até hoje a gente está em um desafio de conseguir implantar isso nas obras, que é mais delicado, tem terceirizados, os caras se sentem meio acuados, tem um pouco de vergonha de fazer a meditação, estamos tentando aprender. E a meditação serve para criar espaço para que, principalmente nos momentos em que as coisas estão dando errado, você consiga pensar de forma criativa, consiga ver o lado positivo das coisas, consiga atacar os problemas com positividade e com criatividade, com vontade de trabalhar solução, não ficar só discutindo a causa, o problema e tal.

Para a  pessoa que está começando hoje, que dica que você dá, principalmente para o empreendedor, aquele cara que está falando "eu quero empreender, não sei nem por onde começar"? 

A primeira é não comece se você não tiver um propósito muito forte, porque não vai ser um conto de fadas. A jornada toda é extremamente desgastante. Então, se você não tiver um propósito muito forte, não tiver um propósito pelo qual está disposto a morrer abraçado com ele,  nem comece. Depois, é acreditar que nada é impossível. Então, não tenha medo de sonhar grande, ter um propósito realmente grande e de acreditar que nada é impossível. Acho que o principal é sair da inércia, entender por onde começar, o primeiro passo. Eu acho que dar o primeiro passo é o mais importante de tudo se tiver um propósito grande. 

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