Alexandre Frankel, CEO da Vitacon: tecnologia e disrupção do setor imobiliário

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No segundo episódio da série, a mesa conversou com o engenheiro e empresário Alexandre Lafer Frankel, que fundou a construtora Vitacon, reconhecida no mercado pela inovação e pela forma como mudou as negociações envolvendo imóveis no país.

Ele empreendeu pela primeira vez aos 18 anos, quando ainda estava na faculdade. É sobre esses temas — primeiros passos, inovação, tecnologia e projetos para o futuro — e muitos outros que Alexandre fala no Construcast.

O mercado imobiliário e o empreendedorismo sempre estiveram no meu sangue. Quando criança, passava tardes inteiras nas lojas de meus avós”, disse Alexandre ao comentar sobre suas influências.

A proximidade às startups e à tecnologia, que tanto pode ser notada em seus projetos atuais, veio em sua primeira jornada: uma empresa de internet, que fazia games e jogos online. Um dos pontos que mais orgulham o empresário em relação à Vitacon, cuja equipe é formada por cerca de 500 pessoas, é o fato de ela ter resistido e se superado em virtude das quedas pelas quais o mercado passou nos últimos 10 anos.

Nossa plataforma surgiu para oferecer uma solução integrada e completa para quem deseja reinventar o conceito de moradia. Inclusive, vivemos uma transição de ciclo — o cenário é positivo e as oportunidades aparecerão”, ressalta Alexandre.

Confira a transcrição da entrevista completa abaixo.

Qual foi a sua influência,  quando você virou a chave e percebeu que  é nesse mercado que queria trabalhar, como tudo começou?

O mercado imobiliário está no meu sangue, assim como o empreendedorismo. Eu acho que a grande influência foram meus avós, que são imigrantes judeus no Brasil e chegaram, literalmente, com uma mão na frente e outra atrás, e foram para o comércio. E eu desde muito pequenino, ia pelo menos duas vezes por semana passar uma tarde inteira nas lojas. O meu pai é do mercado de construção e lembro também que me leva para a obra e plantão de vendas, todas as férias e todos os finais de semana. 

Então, acho que isso influenciou muito na minha formação. Logo aos 18/19 anos, abri a minha primeira empresa que não tem absolutamente nada a ver com o setor, pelo menos naquela época, que era uma empresa de internet. Acho que foi uma grande escola e lá que eu tive esse mindset, essa essa formação de startup de tecnologia para o desenvolvimento de coisas rápidas. Do que a gente chama de fail fast, mas era uma história de bater com a cabeça na parede, aprender fazendo, se jogar do penhasco e ver como é que você vai voar no meio da queda, o que foi maravilhoso. Depois, eu vendi essa empresa alguns anos mais tarde e voltei para o mercado imobiliário, mas com outra cabeça, muito inconformado, com novas ideias e agora, este ano, a Vitacon completa 10 anos de jornada com bastante coisa feita, graças a Deus. Com uma equipe maravilhosa, que acho que esse é o maior mérito e mais de 70 prédio, com 20 mil clientes na base. 

Você se iniciou em tecnologia, depois construção e agora você juntando as duas coisas. Isso era claro para você no início da sua carreira, que você um dia iria para o mercado imobiliário ou não?

 A única coisa que era certa quando comecei era que eu queria mudar a vida das pessoas com alto impacto e pensando muito grande. Eu tenho um sonho de realmente influenciar e mudar a vida de milhões de pessoas. 

O propósito de quando você montou a Vitacon, é muito diferente da Vitacon de hoje?

Não é diferente. Eu morava muito longe da minha faculdade e meu trabalho era muito longe da faculdade, que era muito longe da minha casa. Então, eu era um cara que ficava 5 horas por dia dentro de um carro. Ir lá hoje parece até trivial, pensar em mobilidade, mas na época não era. 

Eu casei e fui morar no apartamento bem pequeno e era perto do meu trabalho. E, daquelas 5 horas, eu comecei a fazer alguns trajetos a pé, de bicicleta. Então, essa transformação foi tão importante na minha vida, que quando eu fundei a Vitacon, pensei que queria levar essa experiência para todo o mercado. Assim, resolver o trânsito e permitir que as pessoas morrem mais perto. 

Como essa história de propósito ajuda a Vitacon a ser entendida, como um empresa que realmente querer transformar mundo?

Eu acho que jamais conseguiria vir trabalhar um só dia, se não fosse por um propósito que é o que me faz acordar de manhã. E o meu é realmente transformar a vida de como as pessoas moram. A gente vai para o Nordeste, para o Sul, e pessoas que se inspiraram, que vem agradecer. O propósito é o que faz tudo isso acontecer.

Você conseguiu disseminar e deixar esse gene dentro da empresa?

As pessoas de dentro absorveram de forma tão intensa o nosso DNA, que se o Alexandre não existir, a empresa continua. E mais do que isso, nós criamos uma comunidade de usuários e clientes que se a Vitacon deixasse de existir hoje, o legado de pessoas que amam a companhia, que entenderam a proposta, o  lifestyle,  continuaria. Nós temos algo muito forte aqui na empresa, que os líderes vão sempre na frente. 

Todas as semanas, invariavelmente, nós estamos nas atividades organizadas pela nossa comunidade para os nossos clientes. Mais cedo ou mais tarde, todo empreendedor que sonha grande, quer escalar, ele entende que  depende de pessoas e isso é o grande mérito. 

Como foi isso na história da Vitacon, esses altos e baixos do mercado e aqui dentro, como foi? Qual o desafio de vocês nesse ciclo nos últimos 10 anos?

Nós realmente entendemos um líder, uma empresa e uma equipe quando ela é desafiada o extremo. E eu acho que a gente passou, assim como todo o mercado, colocados a teste, fomos levados a uma situação de estresse extremo. Eu pagaria para passar por isso de novo, nos tornou muito mais fortes, muito mais resilientes e com uma vontade de vencer que eu jamais imaginei que é um time poderia ter.

Quando é que você viu que conseguiu deu certo a empresa? Como é que escalou esse sucesso?

A gente acha que nunca deu certo. O nosso sonho é tão grande que a gente está sempre incomodado. Se você fosse me perguntar "quantos por cento você já atingiu?" eu diria que não considero nem que a gente deu a largada da onde queremos chegar, mas a empresa de fato escalou.

A gente escuta, vem acompanhando a história da Vitacon e todas as questões de propósito e equipe. Só que não vemos as empresas ressoando isso da mesma forma, não criam eco, não procuram se destacar também pela inovação. Isso te cria uma sensação de alegria, porque ninguém tenta imitar ou buscar os conceitos você está pregando, ou de decepção, porque isso não está sendo percebido pelas outras empresas?

Vejo em todo Brasil, pessoas que se inspiraram, que começaram a pensar em inovação e acho que isso trouxe um certo incômodo positivo para o mercado. De fato, o setor ainda deve se modernizar, deve entender o que que está acontecendo no mundo para acompanhar e esse também é o nosso trabalho. Outra coisa que  aprendi é que quanto mais a gente conta, mas a gente abre, porque tudo é passível de ser, de alguma forma, copiado. Então, eu parto da ideia que quanto mais eu difundir o conceito, mais positivo vai ser. E o mais importante é para onde nós estamos indo. 

Como foi essa virada dentro da Vitacon, em que momento vocês tomaram essa decisão de deixar de vender apartamento e focar no uso?

No começo da companhia, eu queria que as pessoas morassem perto, pudessem não necessitar do carro e então poderiam ir a pé, de carona, de patinete para o trabalho. Isso as tornaria mais felizes e geraria mais tempo. Depois entendi que existe uma máxima da mobilidade que ela é levada a máxima potência, que é quando a pessoa muda de casa, ou a casa acompanha ela a cada momento da sua vida. Essa é a máxima da mobilidade em que ela pode mudar a qualquer momento. Então, essa filosofia da moradia on demand, conforme a demanda daquela pessoa, para mim é a máxima expressão da mobilidade. 

Como é que você vê a tecnologia dentro da Vitacon para atender todas essas ambições?

A tecnologia é fundamental. Em 2020, eu não vou mais vender apartamentos e a gente precisa da tecnologia como um grande aliado para poder atingir o tipo de cliente, ter a penetração que nós imaginamos. Então, nós temos uma a equipe grande de tecnologia, já superou a bastante tempo a nossa equipe de engenharia e hoje eu diria que cada vez mais nós somos uma empresa de bytes e não de bricks - de tecnologia e não de tijolos. 

Uma coisa bacana também que a tecnologia trouxe para você que é aumentar a capilaridade dos seus produtos.  Fala um pouco sobre isso.

No ano passado, nós vendemos em 37 países diferentes. A nossa ideia é transformar o produto imobiliário cada vez mais em um produto de investimento, as pessoas colocarem o seu capital para gerar rendimentos, gerar dividendos e de forma até passiva. Então, nós estamos fazendo parcerias com empresas do mercado de capitais e a ideia é capitalizar, popularizar e democratizar o investimento imobiliário por todo mundo, romper as fronteiras do Brasil. 

Como é esse desafio de montar uma empresa hoje, basicamente, de tecnologia em um setor totalmente analógico?

Tem bastante resistência. Nós vemos algumas mentalidades estáticas, que não conseguem evoluir. Algumas pessoas vão entender e vão evoluir, novas profissões vão ser criadas, novos momentos, novas formas de empreender. 

Se puder contar um pouco da criação da House e a diferença da House com a Vitacon, como as duas operações se encaixam.  

A House nasceu como um departamento dentro da Vitacon. As nossas vendas acontecem, numa maioria absoluta, para investidores que compram os nossos apartamentos para alugar e querem a renda desses apartamentos. A gente via que esses caras estavam totalmente desamparados, ninguém cuidava deles, era um trabalho, os caras recebiam um passivo ao invés de receber um benefício, recebiam um boleto de condomínio e um de IPTU. 

A ideia é que cada apartamento seja digitalizado e nós temos a máxima de gerar rentabilidade para o proprietário, sem nenhum trabalho. Ele pluga aquele ativo e recebe a renda, e a gente vai ter várias alternativas de como a pessoa pode fazer isso e de vários investimentos, de vários tamanhos. Já temos um outro escritório e a empresa está realmente voando sozinha, totalmente desvinculada da Vitacon. A gente tem se associado, não só com incorporadores, proprietários, mas várias empresas de tecnologia, startups, que vão desde aquela que cuida do cachorro do meu cliente, a outra que cuida da alimentação. 

 Como é essa aproximação com as startups hoje? 

Nós temos um departamento de parcerias, que  dentre os nossos prédios e da plataforma, nós temos um ecossistema enorme de Startups que prestam o soluções para os nosso clientes. Então, os mesmos aplicativos que a gente tem no celular, que a gente tanto ama e transformaram para sempre a nossa vida, eu tenho as mesmas soluções agora na moradia, no prédio da pessoa. Hoje nós nos unimos com toda essa turma, que realmente está fazendo a diferença para oferecer uma solução totalmente integrada. E a ideia é levar tudo isso para todos os nossos parceiros.

 O que deu muito certo e que eventualmente outras coisas que não funcionaram?

Primeiro a coisa, eu não trabalho mais com o metro quadrado, isso é uma medida que não faz parte mais do meu vocabulário e nessa nossa jornada veio o morar perto. Para permitir que as pessoas morassem perto, desenvolvemos uma tecnologia, acreditamos nos apartamentos mais compactos, eles cabem no bolso, é muito mais fácil manter, é mais barato o condomínio, mais barato o IPTU, ele veio totalmente alinhado com essa nova forma de vida, e ao mesmo tempo, muitas pessoas precisavam de mais espaço em alguns momentos do seu dia. Então, a gente trouxe a economia compartilhada como parte integrante, acho que essa grande transformação que a gente trouxe para o mercado, que foi compartilhar as áreas comuns como uma extensão da casa. Você me perguntou o que deu certo, eu acho que tudo. 

 Sobre comunidade como é que você está incentivando isso? 

Primeiro acho que isso é natural, as pessoas que são atraídas pelo mesmo propósito, que amam aquela forma de viver, elas acabam de certa forma, interagindo e daí são os grupos de interesse. Tem pessoas que são atraídas pelos esportes, outras pelo conteúdo, outras querem gerar networking de trabalho, e a gente vê tudo isso acontecendo. Hoje todos prédios estão juntos, nós temos as pessoas que representam cada prédio. Isso une as pessoas, eles entenderam isso. 

De onde vem o capital para tudo isso? Como é que você está imaginando fazer um IPO no futuro, fundos imobiliários? Da onde você está buscando dinheiro né para fazer tudo o que você já fez, está fazendo hoje e o futuro?

Nosso mercado, todo mundo sabe que demanda muito capital, não adianta querer fazer tudo isso, sonhar grande sem ter esse esse lado também muito bem estruturado. Hoje nós temos um departamento, a Vitacon Capital, que é focado somente em fazer o funding, trazer dinheiro para a companhia, muito com fundos de investimento e mercado de capitais. É ali que eu enxergo da onde vai ir o nosso capital.

Existem provocações para um IPO, eu sinceramente não sei se é o caminho mais adequado para uma empresa no setor, acho que dá para crescer bastante e ter um respeito ao ciclo imobiliário.

O que você está enxergando para os próximos anos, os próximos passos nessa linha de renda residencial, de fundo de renda residencial?

Eu acredito que a renda residencial vai ser um dos principais ativos do nosso mercado, de um mercado super consolidado. Então, nós temos várias iniciativas já almejando produtos e veículos investimentos para pessoas físicas, para investidores institucionais, e eu acredito que vai ser uma classe de ativo bastante presente e demandada no mercado.

 A sustentabilidade, como é que você está vendo isso? 

A minha visão de sustentabilidade é um pouco diferente da grande maioria do setor. Para mim a sustentabilidade deve ser parte do próprio negócio. 

Sobre as suas influências e inspirações, qual é a rotina, os hábitos que você tem para poder crescer tanto e estar tão inspirado para o futuro?

Acho que não tem segredo, primeiro é uma questão de ousadia, de questionar o status quo, de ser eternamente inconformado. Hoje, por exemplo, acordei por volta das 5 horas da manhã para começar a rotina, eu trabalho incansavelmente, não me lembro os dias que eu consigo chegar antes das 23h em casa, é um amor, uma vontade tão grande. Eu trabalho todos os sábados e domingos, sem exceção, vendo as obras e indo para plantões. Depois, eu tenho que estudar muito. É muita dedicação, muito amor e, acima de tudo, uma vontade de transformar a sociedade em um mundo melhor.

Qual é o seu sonho, sua preocupação maior, seu sonho para o futuro?

Meu sonho é transformar a vida de milhões e milhões de pessoas para melhor. Tem algo que estou obcecado, que é atacar o déficit habitacional, primeiro no Brasil e depois no mundo. Tenho um sonho grande de impactar a vida de milhões de pessoas. 

E seus filhos, já estão indo lá nos plantões, acompanhando? Como que é a relação Alexandre e tecnologia em casa?

Já estão, eu levo eles desde de pequenos. A gente tem um combinado que eles ganham uma remuneração quando eles vem trabalhar comigo. Acho que tem que vir de casa, essa lição empreendedora, esse exemplo de querer fazer algo, de transformar o mundo e do tempo que a gente está junto viver de forma intensa. 

 Que cidades te inspiram, viagens que você fez, que você vê que o Brasil pode chegar, o caminho que estamos chegando e para onde você imagina estar no futuro em breve?

Eu odeio viajar, eu amo tanto a minha rotina que, para mim, a única coisa que me move viajar é poder estar conhecendo novos universos, novas ideias, novos empreendedores, mas acho que hoje está tudo na rede. 

 Para aquele jovem está começando hoje, que conselho você daria?

Vá atrás do sonho, seja um eterno inconformado, incomodado com como as coisas estão hoje e não tenha medo de colocar em execução. Uma das máximas que a gente tem aqui é "na dúvida, sempre faça". É muito melhor você pedir desculpa por um erro do que não ter feito.

Para a pessoa que está querendo investir no mercado, o que você está vendo como oportunidade?

Quem está querendo investir no mercado, é um excelente momento. Não tenho dúvida de que a economia do país vai deslanchar, o mercado imobiliário também, a gente já viu uma recuperação bastante intensa, primeiro em São Paulo, levando uma mensagem de otimismo para todo o Brasil, que com certeza, isso vai transpor, vai chegar em todas as outras praça. Eu acho que tem muita oportunidade e excelente empreendedores que fazem país ir adiante com bastante força.

Para finalizar, qual o seu recado final? O que você está enxergando no mercado para os próximos anos, os novos desafios?

Primeiro desafio é crescer muito, a gente quer somar. E nós queremos nos unir com os outros empreendedores do mercado, essa é a grande missão e o próximo passo. Acho que o recado, para todo mundo que está ouvindo, é fica no jogo. Fica no jogo que o mercado volta, a economia é cíclica e é importante essa resiliência. Quem está aqui já é diferenciado, já tem um valor do que a grande maioria de qualquer outra empresa do mundo e vai voltar, e vai voltar com muito mais força. E eu acredito muito nisso.

O que achou dessa entrevista? É legal conhecer a história de grandes nome do mercado e poder se inspirar para crescer ainda mais o setor. 

Se gostou desse tipo de conteúdo, comente abaixo e não deixe de ouvir as palavras de Elie Horn no podcast Construcast. 

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