Quem pesquisa qual o jeito mais barato de construir uma casa costuma buscar materiais de construção excelentes que possam fazer o milagre de abaixar os custos. Mas, segundo especialistas ouvidos pela CashMe, a maior economia vem antes da obra, com um projeto simples, completo e um orçamento fechado.
Para eles, casa compacta, telhado simples e poucas mudanças durante a execução da obra pesam mais do que qualquer escolha isolada.
O que mais pesa no custo de uma casa
Para Lucca Vari, arquiteto e sócio da Lima Vari Arquitetos, a mão de obra é o item mais caro na hora de construir uma casa, perto de metade do custo total, seguida pelos materiais de estrutura e vedação e, depois, pelo acabamento.
Já Lucas Striani, empreendedor imobiliário, destaca que na hora de avaliar qual o jeito mais barato de construir uma casa, os itens que pesam mais no custo são fundação e estrutura. Segundo ele, as características de solo e topografia do terreno influenciam diretamente no tipo de fundação necessário e a quantidade de materiais utilizados.
Jonata Tribioli, especialista em operações imobiliárias e diretor da IBR Capital, exemplifica. Uma casa de 100 m² em terreno plano pode custar bem menos do que outra igual em lote inclinado, que exige contenção, movimentação de terra e fundações mais complexas.
Na visão dos especialistas, é a falta de definição o que realmente estoura o orçamento, com projetos incompletos, decisões tomadas na hora, retrabalho e compras às pressas.
Qual o tipo de construção mais barata
Os especialistas destacam que não existe um padrão na hora de escolher qual o jeito mais barato de construir uma casa. Mas apontam que no Brasil a alvenaria costuma ser a opção mais acessível, por ter material e mão de obra em praticamente qualquer cidade.
Para Tribioli, tanto a alvenaria estrutural como a convencional podem funcionar bem, mas a escolha depende do projeto e do custo de mão de obra da região.
Ele aconselha ter o cuidado de comparar o preço da casa pronta, porque algumas empresas anunciam apenas o valor da estrutura, sem incluir fundação, transporte, instalações e acabamentos.
Veja abaixo uma comparação dos sistemas construtivos
| Sistema | Custo | Vantagem | Limitação |
| Alvenaria convencional | Costuma ser o mais acessível | Mão de obra fácil; permite ampliar | Mais concreto e ferragem |
| Alvenaria estrutural | Pode ser menor em casa simples | Rapidez | Paredes não podem ser removidas |
| Steel frame e wood frame | Nem sempre menor | Obra rápida e limpa | Exige mão de obra especializada |
| Pré-moldada | Competitivo com fornecedor perto | Bom prazo | Transporte e montagem |
| Container | Pode igualar a convencional | Estrutura pronta | Isolamento e reforço |
| Tijolo ecológico | Varia | Menos argamassa | Depende da execução |
Alvenaria convencional e alvenaria estrutural
Tribioli explica que a principal diferença está na função das paredes. Na alvenaria convencional, normalmente são os pilares e vigas que sustentam a construção, enquanto os tijolos ou blocos fazem o fechamento e a divisão dos ambientes.
Já na estrutural, as próprias paredes de blocos estruturais participam da sustentação da casa, o que reduz o uso de concerto, formas e determinadas etapas da obra.
“Para uma casa pequena, com uma planta simples e sem previsão de grandes mudanças, a alvenaria estrutural pode ser mais econômica. Agora, se a pessoa pretende ampliar a residência, integrar ambientes ou modificar a distribuição dos cômodos no futuro, a convencional costuma oferecer mais liberdade”, avalia Tribioli.
Steel frame, wood frame e casas pré-moldadas
Vari explica que Steel frame e wood frame são sistemas industrializados e leves. A estrutura é feita de perfis de aço galvanizado ou de madeira tratada, fechada com placas, cimentícia e drywall, com isolamento no meio.
“A obra é rápida, limpa e gera pouco desperdício. As casas pré-moldadas usam peças de concreto feitas em fábrica e montadas no terreno, também com bom prazo”, comenta.
Contudo, Vari alerta que nem sempre o custo final é menor do que alvenaria, embora o prazo encurta o que reduz custo indireto. “O ponto de atenção é que mudanças no meio da obra e reformas futuras são mais difíceis e o acabamento, o conforto térmico e o acústico dependem muito da execução”, destaca.
Container, tijolo ecológico e outras alternativas
Para Vari, a economia dessas alternativas é menor do que parece. Ele explica que o container exige isolamento térmico e acústico, reforço estrutural, fundação e impermeabilização e o custo dessas adaptações costuma se aproximar de uma obra convencional, mas com menos conforto e menos flexibilidade.
Já o tijolo ecológico, de solo-cimento, tem pontos positivos como dispensar queima e reduzir investimento, mas depende de mão de obra que conheça o sistema, segundo o arquiteto.
Enquanto o container é associado a moda recente, Vari destaca que é melhor escolher projetos atemporais, que continuem fazendo sentido e mantenham o valor daqui a 20 ou 30 anos. “Por isso, essas alternativas valem para quem tem um motivo claro, mas não como atalho para gastar menos”, destaca.
Decisões de projeto que deixam a casa mais barata
Na visão de Striani, na hora de definir qual o jeito mais barato de construir uma casa o principal segredo está no planejamento.
Ele afirma que um projeto bem desenvolvido pelo arquiteto consegue aliar uma boa planta, funcionalidade e economia na obra.
“Aproveitar melhor os espaços, priorizar a iluminação, a ventilação natural e escolher materiais com bom custo-benefício são decisões que podem reduzir custos sem abrir mão da modernidade”, aponta.
Já Vari acredita que a principal decisão é a forma. Casas compactas, retangulares, com poucos recortes e telhado simples, gastam menos com fundação, paredes, cobertura e mão de obra. Agrupar cozinha, banheiro e lavanderia também encurta a hidráulica e simplifica a obra.
Tribioli acrescenta que o telhado faz diferença. Quanto mais recortes, mudanças de altura e encontros, maior tende a ser o gasto com estrutura, materiais e mão de obra. “Na fachada, dá para trabalhar com cores, texturas simples e janelas de medidas comerciais, sem precisar investir em revestimentos caros”, destaca.
Como construir casas baratas e rápidas
Para os especialistas, o processo de descobrir qual o jeito mais barato de construir uma casa começa antes da obra, com projetos completos, aprovações obtidas, fornecedores escolhidos e cronograma com as compras planejadas.
Striani reforça a importância de uma boa equipe de mão de obra, que cumpra o cronograma estabelecido, com acompanhamento próximo da engenharia durante todas as etapas.
Além disso, o empreendedor imobiliário considera que é fundamental estabelecer um orçamento antes de iniciar o projeto. Desta forma, as escolhas construtivas são feitas de acordo com os recursos disponíveis, evitando desenvolver um projeto sem considerar previamente os custos necessários para executá-lo.
Ideias de casas pequenas e baratas
Tribioli cita alguns exemplos para aproveitar cada metro quadrado. Segundo o especialista, uma opção interessante seria uma casa térrea de cerca de 45 m², com dois quartos compactos, banheiro e sala integrada à cozinha. “Com uma planta bem distribuída é possível atender às necessidades de uma família pequena sem desperdiçar espaço com corredores”, avalia.
Já para uma pessoa ou um casal, ele indica uma casa de 30 a 40 m², com um quarto e ambientes integrados. “Outra ideia é construir pensando em uma ampliação futura. A família começa com uma casa menor, mas o projeto já prevê onde poderá entrar mais um quarto ou outro ambiente, sem precisar demolir o que foi construído”, destaca Tribioli.
Além disso, o especialista destaca que em terrenos estreitos, uma planta linear pode ajudar a aproveitar o espaço. Já em lotes mais largos, uma casa retangular com telhado simples costuma ser uma solução prática e econômica.
Onde não vale a pena economizar
Para os especialistas consultados pela CashMe, vale a pena economizar em acabamento e deixar para depois itens como paisagismo e mobília solta. Mas eles concordam que não se corta qualidade em fundação, estrutura, impermeabilização, instalações e cobertura e nem em mão de obra qualificada.
Tribioli exemplifica que uma infiltração pode exigir a retirada dos pisos, revestimentos e até quebra de paredes para corrigir um problema que poderia ter sido evitado durante a obra.
Como a gestão da obra ajuda a economizar
Vari acredita que a gestão é onde o orçamento se protege. “Com compras planejadas, a obra não para por falta de material e dá para negociar melhor com fornecedores, comprando em lote e no momento certo”, destaca.
Ele cita que acompanhar o físico-financeiro de perto, comparando o que foi previsto com o que foi gasto, permite corrigir o rumo antes que um desvio pequeno vire um estouro. Vari reforça que outro ganho vem de controlar escopo e qualidade no canteiro, medindo o serviço executado antes de pagar, conferindo o material que chega e evitando desperdício em cada etapa.
Como pagar a obra sem que ela pare no meio
Segundo os especialistas, o primeiro passo é saber quanto a obra vai custar. Vari recomenda ter uma reserva entre 10% e 20% para imprevistos. Para ele, uma obra que começa sem esse colchão de recursos é a que para na primeira surpresa.
Já Striani sugere evitar adiantamentos sem garantias e aconselha vincular os pagamentos, quando possível, à conclusão das etapas executadas. “Dessa forma, é possível acompanhar melhor o andamento dos serviços, cobrar o cumprimento dos prazos e reduzir o risco de a obra ficar parada por falta de recursos”, observa.
Já Tribioli alerta para evitar iniciar a construção contando com o dinheiro que ainda não está disponível, como uma venda que não aconteceu ou um financiamento que ainda não foi aprovado. Ele destaca que uma obra parada costuma gerar novas despesas, além do desgaste de ter dinheiro investido em uma casa que ainda não pode ser utilizada.
Para quem precisa de recursos para começar ou finalizar uma obra, uma alternativa é o Crédito de Construção da CashMe, que financia uma construção residencial ou comercial. Por meio deste, a pessoa pode ter acesso até 50% do valor de avaliação do imóvel finalizado ou até 30% do valor do terreno, com montantes que vão de R$ 50 mil até R$ 25 milhões.
O prazo para quitação é de 240 meses, com carência de até 3 meses para o primeiro pagamento. Os valores são liberados por etapas, acompanhando a evolução física da construção.
Precisa de crédito descomplicado?
Veja como a CashMe pode te ajudar:
Perguntas frequentes
Qual o jeito mais barato de construir uma casa?
Segundo os especialistas, a maior economia vem antes da obra, com um projeto simples e completo e um orçamento fechado. Casa compacta, telhado simples e poucas mudanças durante a execução pesam mais no custo do que qualquer escolha isolada de material.
O que mais encarece a construção de uma casa?
A mão de obra pode representar perto de metade do custo total, seguida pelos materiais de estrutura e vedação e pelo acabamento. Fundação e estrutura também pesam, principalmente em terrenos inclinados, que exigem contenção e movimentação de terra. A falta de definição no projeto, com decisões tomadas na hora e retrabalho, é o que mais estoura o orçamento.
Alvenaria estrutural é mais barata que a convencional?
Pode ser, em casas pequenas, com planta simples e sem previsão de grandes mudanças, porque reduz o uso de concreto e formas. Já para quem pretende ampliar a casa ou mudar a distribuição dos cômodos no futuro, a alvenaria convencional oferece mais liberdade.
Casa de container ou de tijolo ecológico sai mais barata?
Nem sempre. O container exige isolamento térmico e acústico, reforço estrutural e impermeabilização e essas adaptações podem deixar o custo próximo ao de uma obra convencional. O tijolo ecológico tem vantagens, mas depende de mão de obra que conheça o sistema.
Quanto reservar para imprevistos na obra?
A recomendação é manter uma reserva de 10% a 20% do orçamento. Também vale vincular os pagamentos à conclusão de cada etapa e não começar a obra contando com dinheiro que ainda não está disponível.







