CDI: o que é e como ele impacta o seu dinheiro?

CDI: o que é e como ele impacta o seu dinheiro?
ícone de calendario

Atualizado:
22/06/2022

ícone de calendario

Publicado:
22/06/2022

ícone de relógio

Leitura de
11 min

ícone de conversa

Comentarios
0

CashMe

CashMe


CDI, IPCA, SELIC, CDD… O mercado financeiro está repleto de taxas. Mas você sabe como elas funcionam e qual o seu impacto na economia? Os Certificados de Depósito Interbancário (CDI) são um ótimo exemplo para começarmos a discutir sobre o assunto. Isso porque eles influenciam nas taxas cobradas por empréstimos e nos rendimentos de investimentos. Confira! 

CDI é o nome dado às operações de empréstimos feitas entre os bancos. Quando uma instituição fecha o dia com menos dinheiro do que começou, ela pega um empréstimo de outra instituição para fechar no positivo.

Isso é feito por conta de uma determinação do Banco Central do Brasil que diz que todas as instituições financeiras precisam encerrar o dia com mais dinheiro entrando do que saindo. Mas na prática isso não acontece todos os dias.

O que sabemos é que essa operação feita entre instituições financeiras têm reflexo nos rendimentos dos seus investimentos. Visto que diversas aplicações usam o CDI como referência para determinar o quanto elas irão render.

Como ele é uma referência muito importante, é preciso ficar atento e entender como esse conceito funciona de forma completa. Para te ajudar nessa tarefa, elaboramos este conteúdo. Com ele você vai descobrir o que é CDI, sua importância para a economia, sua relação com os investimentos e o quanto ele, de fato, afeta a sua vida. Aproveite e boa leitura!

O que é CDI?

Certificado de Depósito Interbancário (CDI) é o nome dado aos empréstimos feitos entre as instituições financeiras. Ele é responsável por impactar nos juros dessas transações (que dão origem a uma tarifa chamada taxa DI) com o objetivo de fazê-las fechar o caixa do dia sempre no positivo. 

Além disso, você verá que o CDI também tem grande influência na economia brasileira. Uma vez que ele atua como uma espécie de promessa do pagamento da dívida, pois o banco que está emprestando o dinheiro tem a garantia de que receberá o valor que transferiu por meio do título de empréstimo. Isso funciona de forma semelhante ao empréstimo com garantia para Pessoa Física que a CashMe faz.

É preciso ter consciência de que a taxa do CDI é calculada todos os dias pela B3 com base nas operações realizadas. E que sua média mensal e anual é estimada a partir das taxas diárias consideradas para o rendimento de investimentos.

Por que os bancos fazem esse tipo de transação?

O Banco Central determina que todo banco deve terminar o dia com mais dinheiro do que começou, ou seja, com saldo positivo. O seu objetivo é evitar o risco da quebra do Sistema Financeiro Nacional (SFN) em favor de dívidas da instituição.

Mas como sabemos, existem diferentes razões para que as instituições não fechem no positivo. A exemplo de quando um determinado banco tem um número maior de saques do que de depósitos naquele dia.

Para cobrir essa diferença e manter seu caixa no positivo, esse mesmo banco precisa fazer um empréstimo. Mas, quem emprestaria dinheiro para um banco? Exatamente, um outro banco. Ainda que eles sejam concorrentes dentro do mercado.

Dessa maneira, além de proteger o sistema financeiro, os bancos também protegem o patrimônio de seus clientes.

Como a taxa DI funciona?

Os bancos não são as únicas instituições envolvidas na determinação da taxa DI. A Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos Privados, a CETIP é essencial para o cálculo da taxa.

Essa central foi criada pelas instituições financeiras brasileiras em 1984. Seu objetivo era aumentar a eficiência de todas as transações financeiras. Naquela época, os processos eram feitos por meio de papéis e os registros demoravam muito para ficarem prontos.

Em 2017, ela se uniu à BM & FBovespa, dando origem à atual Bolsa de Valores do Brasil, conhecida como B3.

Essa empresa de capital aberto tem como objetivo oferecer serviços para a integralização do mercado financeiro. A CETIP acaba fazendo parte do dia a dia dos cidadãos, mesmo que eles não percebam.

Isso porque essa empresa é quem operacionaliza as transferências feitas por DOC e TED. Outro ponto importante é que ela é responsável pela custódia e a liquidação de vários tipos de investimentos.

A CETIP tem relação direta com as instituições financeiras e atua como intermediária das negociações feitas entre elas. Assim, todos os CDIs feitos são registrados automaticamente no órgão. Isso permite que ela tenha uma grande quantidade de dados dos CDIs, o que inclui a média de taxas praticadas. 

Como a taxa do CDI é calculada e composta?

Por meio da B3, a CETIP tem uma metodologia determinada para a apuração da taxa DI que é usada todos os dias pelos bancos. Para isso, ela considera as operações de depósitos interfinanceiros prefixados que têm prazo de um dia útil. Apenas as negociações feitas entre dois bancos diferentes são consideradas no cálculo da taxa. 

Em primeiro lugar, é preciso saber que existem dois critérios estabelecidos para a apuração da taxa DI:

  1. O número de negociações precisa ser igual ou maior do que 100;
  2. A soma dos volumes das operações deve ser igual ou maior do que R$ 30 bilhões.

Caso um desses critérios não seja cumprido em um determinado dia, a taxa DI será semelhante à taxa Selic Over divulgada. Caso a Selic Over não seja divulgada até as 21 horas daquele dia por qualquer razão, a taxa do dia anterior será usada.

Nos dias em que os dois critérios forem cumpridos, uma fórmula matemática para o cálculo da taxa DI é aplicada. A fórmula é a seguinte:

Os termos da fórmula correspondem às seguintes variáveis:

DIi: taxa DI da i-ésima negociação, calculada com arredondamento de 2 casas decimais;

VRi: valor de resgate da i-ésima negociação, informado com 2 casas decimais;

VEi: valor de emissão da i-ésima negociação, informado com 2 casas decimais.

Confira todos os detalhes deste cálculo no site da B3.

Quanto o CDI rende?

As operações de CDI são feitas todos os dias. Por esse motivo, a taxa DI também é calculada pela CETIP diariamente. Caso você queira saber o valor da taxa DI hoje, é só acessar a página da B3. Nela, você encontra informações atualizadas das taxas e cotações do dia da consulta. 

Imagem capturada em 16 de junho.

Para saber a taxa DI de dias ou períodos anteriores, é possível usar a Calculadora do Cidadão do Banco Central. Para isso, basta preencher o período para ter acesso ao valor percentual correspondente.

Mas, vamos usar como exemplo 2021. Neste ano, o CDI rendeu 4,42% ao ano. Ou seja, as pessoas que possuíam investimentos que rendiam 100% do CDI ao longo de 2021, receberam 4,42% de rendimentos. Eventuais impostos e tarifas não entram nessa conta. 

O CDI também pode ser medido anualmente ou diariamente. Confira os dados do CDI Mensal de 2021:

Mês de 2021Valor do CDI Mensal
Janeiro0,15%
Fevereiro0,13%
Março0,20%
Abril0,21%
Maio0,27%
Junho0,31%
Julho0,36%
Agosto0,43%
Setembro0,44%
Outubro0,49%
Novembro0,59%
Dezembro0,77%
Acumulado do ano4,42%

Em 2022, já conseguimos apontar o CDI Mensal, que teve os seguintes resultados:

Mês de 2022Valor do CDI Mensal
Janeiro0,73%
Fevereiro0,76%
Março0,88%
Abril0,89%
Maio0,98%

Qual o valor do CDI hoje?

Em junho de 2022, o valor do CDI está em 12,65% ao ano e 0,52% ao mês. Mas, fique atento: a taxa mensal foi considerada no dia 16 de junho de 2022 e seu valor deve mudar até o fim do mês.

O que o CDI significa para os bancos e investidores?

Se a taxa DI tiver um crescimento muito alto, isso significa que o custo do dinheiro também está consideravelmente mais alto. Isso influencia os preços e, consequentemente, a inflação do país.

Por outro lado, o crescimento dessa taxa gera otimismo para quem possui dinheiro aplicado, já que pode significar grandes ganhos. Mas, de maneira geral, o índice demonstra que a economia não anda bem.

Esse fato acontece justamente pelo fato de que o CDI costuma acompanhar a Selic. Dessa forma, quando o cenário aponta uma inflação crescente, o Banco Central aumenta a taxa básica de juros para tentar conter a aceleração dos preços.

Quando há um movimento oposto, de queda do CDI, os rendimentos de investimentos pós-fixados também costumam cair junto com a taxa. O que faz com que eles se tornem menos rentáveis e, consequentemente, menos atrativos.

Por outro lado, os investimentos pré-fixados acabam ficando mais interessantes, já que sua taxa de juros será mantida, mesmo que haja variações. Por essas razões, é essencial definir bem seus objetivos antes de escolher um investimento.

Entender o que é e como funciona o CDI também é essencial para que os novos investidores tomem decisões corretas. Isso porque essa taxa é essencial para as principais movimentações das instituições financeiras.

Como o CDI afeta os investimentos?

A taxa DI não é usada somente para calcular os juros dos empréstimos entre as instituições. Ela também é usada como parâmetro para vários outros negócios, já que reflete importantes negociações do mercado financeiro.

As pessoas que buscam investir em títulos de renda fixa públicos, bancários ou corporativos avaliam sua rentabilidade. Em diversos casos, essa rentabilidade é definida com um percentual do CDI. Por exemplo, existem aplicações com rentabilidade de 100% do CDI ao ano.

Mas, ao contrário do que muitas pessoas imaginam, não é possível investir no CDI. Para as Pessoas Físicas, o CDI é somente uma taxa de referência a qual vários tipos de investimentos de renda fixa procuram se igualar ou superar.

Isso porque a taxa DI e a taxa Selic normalmente são usadas como a rentabilidade base esperada em investimentos de renda fixa. Dessa forma, os ativos financeiros que são indexados ao CDI sofrem variações na rentabilidade conforme as mudanças da taxa DI.

Os principais investimentos de renda fixa afetados por essa taxa são: CDB, LCI, LCA e LC. Confira como cada um desses investimentos funciona:

Certificado de Depósito Bancário (CDB)

O CDB é um dos investimentos em renda fixa mais conhecidos do mercado financeiro. Esse título, emitido por instituições financeiras, funciona como um empréstimo que Pessoas Físicas fazem aos bancos, de forma parecida com os CDIs.

As categorias do CDB são definidas de acordo com sua rentabilidade: pré fixada, pós-fixada ou híbrida. Normalmente, os CDBs pós-fixados são atrelados à rentabilidade da taxa DI, ou seja, do próprio CDI.

Letra de Crédito Imobiliário (LCI)

Já este título é emitido pelas instituições financeiras com o intuito de levantar capital para financiar o setor imobiliário. Esses investimentos em renda fixa são lastreados a créditos imobiliários. Sua garantia são hipotecas ou as alienações imobiliárias obtidas no financiamento de um imóvel.

Letra de Crédito do Agronegócio (LCA)

A LCA é bem parecida com a LCI. Esse título é emitido por instituições financeiras, mas o objetivo é levantar capital para financiar o setor do agronegócio. 

Letra de Câmbio (LC)

Este é um título emitido por instituições financeiras não-bancárias, que são popularmente conhecidas como financeiras. A letra de câmbio é usada por essas instituições para captar recursos, que podem ser destinados, por exemplo, para os empréstimos feitos.

O que quer dizer 100% do CDI? E 120% do CDI?

Quando alguém fala que um investimento rende 100% do CDI, isso quer dizer que ele irá render exatamente o mesmo valor que o CDI até que a aplicação vença. 

Isso significa que, se nos meses em que o dinheiro ficou aplicado, o valor acumulado do CDI foi de 5,40%, o rendimento do investimento será os mesmos 5,40%.

Usando o mesmo exemplo, se um investimento rende 120% do CDI, ele rende 5,40% + 20%, ou seja, 6,48%. 

Dessa forma, vamos trazer um exemplo fictício:

Valor investidoRendimentoTaxa DITotal de rendimentosValor total
R$ 1.000100% do CDI5,40%5,40%R$ 1.054
R$ 1.000120% do CDI5,40%6,48%R$ 1.064,80

Fique atento, pois diversos investimentos podem ter cobrança de impostos sobre o valor do rendimento. Dessa forma, o valor final que a pessoa irá receber pode ter descontos, ficando diferente do exemplo que trouxemos acima.

Qual é a relação do CDI com a taxa Selic?

A Selic é a taxa básica de juros da economia. A cada 45 dias, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM) determina seu valor. Esta taxa é a mais conhecida dos brasileiros.

Ela tem tanto destaque por ser usada para as operações de empréstimos de instituições financeiras e Pessoas Físicas para o Governo Federal. Para as Pessoas Físicas, isso acontece por meio de aplicações no Tesouro Direto, por exemplo.

A taxa DI e a Selic são muito parecidas, e seus valores estão sempre próximos. Isso acontece porque, caso a Selic esteja muito maior do que a taxa DI, os bancos preferem emprestar dinheiro ao Governo e não a outros bancos. Isso porque sua rentabilidade será bem mais alta.

Da mesma forma, se a taxa DI estiver muito mais alta do que a Selic, isso também não é interessante para os bancos. Nesse caso, os rendimentos dos investimentos de renda fixa calculados com base nessa taxa ficam mais altos.

Além disso, os empréstimos entre bancos realizados por meio de CDIs também têm como referência a taxa Selic. Por essa razão, apesar de as duas taxas não serem idênticas, elas seguem a mesma direção e tendência.

Qual a diferença entre CDI e correção monetária?

O CDI não deve ser confundido com correção monetária. Enquanto o CDI é uma operação de crédito feita entre os bancos, a correção monetária é uma operação financeira feita pelos agentes econômicos brasileiros.

A correção monetária é o ajuste financeiro da moeda brasileira (o real) em relação ao valor das moedas estrangeiras. Isso é feito levando em consideração os índices de inflação ou a cotação do mercado financeiro.

Essa atualização é feita com base nas taxas de juros praticadas pelos bancos e no índice de inflação. O Banco Central é o responsável pelo cálculo do valor da correção monetária brasileira.

A Taxa Referencial é um exemplo disso. Sua função é ser um índice de correção monetária de investimentos feitos na poupança e do saldo do FGTS. Assim, garante que eles não sejam desvalorizados conforme a inflação. Atualmente, esta taxa está zerada.

Quando há correção monetária em uma dívida, o cálculo é feito sobre seu valor total, o que inclui as taxas de juros.

Qual a diferença entre CDI e IPCA?

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é usado para medir a inflação no Brasil. A base usada para chegar ao valor desse índice são cálculos feitos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Essa operação considera os preços de nove produtos e serviços que fazem parte da rotina dos cidadãos brasileiros. Confira quais são esses itens:

  • Alimentos e bebidas;
  • Artigos voltados à residência;
  • Comunicação;
  • Despesas pessoais;
  • Educação;
  • Habitação;
  • Saúde e cuidados pessoais;
  • Transporte;
  • Vestuário.

O IPCA serve para medir o consumo das famílias brasileiras todos os meses, além de ser o medidor oficial da inflação no país.

Com base em dados históricos, é possível observar que o CDI possui índices melhores em comparação com o IPCA. Isso porque normalmente, esse último indicador está acima do valor da inflação.

Mas, ambos os indicadores econômicos são importantes e oferecem referência para a tomada de decisões financeiras. Eles também servem como indexadores da rentabilidade das aplicações financeiras, normalmente usados para títulos pós-fixados ou híbridos.

Qual a diferença entre CDI e CDB?

Para explicar de forma simples, basta dizer que o CDB é o CDI na versão Pessoa Física. A diferença é que no caso do Certificado de Depósito Bancário (CDB), quem empresta dinheiro ao banco é um consumidor final Pessoa Física, e não outra instituição financeira.

Os motivos pelos quais as instituições financeiras emitem esses certificados também são diferentes:

  • O CDI serve para cumprir a regulamentação do Banco Central e manter o fluxo de caixa diário sempre positivo. Por esse motivo, esse é um título de prazo diário;
  • Por outro lado, o CDB é uma linha de crédito das instituições financeiras. Assim, ele tem prazos e características diferentes. Existem tanto CDBs com liquidez diária quanto outros com prazos maiores, além dos pré-fixados e pós-fixados.

Conclusão

O Certificado de Depósito Interbancário é o índice que mede a média das taxas de juros dos empréstimos realizados entre as instituições financeiras. Esse é um importante indicador da economia, já que juntamente com o IPCA, serve de referência para a tomada de decisões financeiras.

Embora os valores da taxa DI e da Selic (medidor da inflação juntamente com o IPCA) sejam sempre próximos, os CDIs costumam estar abaixo da inflação. Assim, dependendo da operação financeira, usar essa taxa pode ser uma alternativa mais vantajosa para o consumidor.

Pensando em trazer uma opção mais vantajosa para você, consumidor, a CashMe decidiu alterar o indicador usado para o cálculo da taxa de juros de IPCA para CDI. Assim, podemos continuar oferecendo empréstimo com garantia de imóvel com as melhores condições para você.

Você já conhecia o CDI e a diferença desta para as outras taxas (e siglas) da economia brasileira? Deixe sua opinião sobre esse conteúdo e o movimento da CashMe nos comentários!


CashMe

Escrito por CashMe

Equipe de redação de CashMe. Todos os conteúdos são revisados por especialistas do ramo e atualizados periodicamente.


Separamos mais essas notícias para você:

Faça seu comentário!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *