Custo efetivo total do financiamento: o que é e como calcular

Custo efetivo total do financiamento: o que é e como calcular

19 out 2026
Revisado em 19 out 2026
12min de leitura

O custo efetivo total (CET) de um financiamento é a taxa que reúne, em um único percentual, tudo o que você paga pelo crédito: juros, tarifas, seguros, tributos e demais despesas da operação. A taxa de juros é apenas um desses itens.

Por isso, o CET é o indicador mais completo para comparar propostas: duas ofertas com a mesma taxa de juros podem ter CETs diferentes, e uma oferta com juros menores pode sair mais cara.

O que é custo efetivo total (CET) em um financiamento?

O CET é a taxa que representa, de forma consolidada, os encargos e as despesas de uma operação de crédito. Em vez de olhar só os juros, ele mostra o custo da operação como um todo, e costuma ser informado em taxa percentual anual.

A regra vem do Banco Central. A Resolução CMN nº 4.881/2020 determina que as instituições informem o CET antes da contratação e apresentem o demonstrativo de cálculo. A norma vale para operações com pessoas naturais, incluindo empresários individuais, e com microempresas e empresas de pequeno porte. Ela também exige a divulgação do CET nos informes publicitários e não se aplica ao crédito rural.

O que compõe o CET?

O CET soma tudo o que a operação cobra de você e desconta o que você efetivamente recebe. Os componentes mais comuns são:

  • Juros: a remuneração do dinheiro emprestado.
  • Tarifas: cobranças administrativas, como cadastro ou avaliação de garantia, quando previstas no contrato.
  • Tributos: principalmente o IOF.
  • Seguros: como o seguro prestamista, quando contratado junto com o crédito.
  • Outras despesas: custos da operação cobrados ou repassados pela instituição.

Cada componente muda o CET por um caminho diferente. Tarifas cobradas no início reduzem o valor que chega à sua conta. Seguros mensais aumentam a parcela. O CET captura os dois efeitos.

Qual a diferença entre CET e taxa de juros?

A taxa de juros mede o preço do dinheiro emprestado. O CET mede o custo da operação inteira. São indicadores distintos, e confundir um com o outro é a principal armadilha ao comparar ofertas.

Uma proposta com taxa de juros baixa e várias tarifas pode ter CET maior que outra com juros um pouco mais altos e sem cobranças extras.

Como calcular o CET?

Matematicamente, o CET é a taxa que iguala o valor líquido que você recebeu ao valor presente de todos os pagamentos que fará. É a mesma lógica da taxa interna de retorno (TIR), vista do lado de quem toma o crédito:

valor líquido liberado = soma de cada pagamento dividido por (1 + CET) elevado ao mês em que ele é pago

Na prática, você não resolve essa equação à mão. Uma planilha faz o trabalho. No Excel ou no Google Planilhas, a função TAXA devolve o CET mensal quando as parcelas são iguais: =TAXA(prazo; -parcela; valor líquido liberado). O valor líquido é o que chega à conta, já descontadas tarifas cobradas no início.

CET mensal e CET anual: qual a diferença?

O CET mensal e o CET anual descrevem o mesmo custo em períodos diferentes. A conversão usa juros compostos, não multiplicação por 12:

CET anual = (1 + CET mensal) elevado a 12, menos 1

Um CET de 1,00% ao mês equivale a 12,68% ao ano, e não a 12%. O CET de 1,20% ao mês, que aparece no exemplo adiante, equivale a cerca de 15,33% ao ano. Ao comparar propostas, use sempre a mesma base, de preferência a anual, que é a forma como o CET costuma ser divulgado.

Como calcular o valor das parcelas (Price e SAC)?

A conta da parcela é um passo anterior ao CET e depende do sistema de amortização. Na Tabela Price, as parcelas são fixas. No SAC (Sistema de Amortização Constante), a amortização é igual todo mês e as parcelas começam maiores e diminuem ao longo do tempo. O guia de amortização da CashMe detalha esses sistemas.

Para a Tabela Price, a parcela é: valor financiado × taxa mensal ÷ (1 − (1 + taxa mensal) elevado a −prazo). Um crédito de R$ 100.000, a 1,00% ao mês, em 60 meses, tem parcela de R$ 2.224,44. Esse valor considera só os juros. Tarifas e seguros entram depois, no CET.

Existe calculadora de CET?

Existem simuladores que estimam o CET a partir de valor, prazo, parcela e custos informados. Eles servem para uma comparação rápida, mas o número oficial é o que consta no demonstrativo de cálculo entregue pela instituição, porque depende das datas exatas de liberação e de pagamento. Operações com carência ou taxa pós-fixada também podem diferir de uma estimativa simples.

Como o CET funciona no financiamento imobiliário?

No financiamento imobiliário, o CET pesa mais por causa do prazo longo. Um custo pequeno cobrado todo mês, como um seguro, é multiplicado por centenas de parcelas.

Os itens mais comuns que influenciam o CET nessa modalidade são os seguros obrigatórios (MIP, de morte e invalidez permanente, e DFI, de danos físicos ao imóvel, conforme as regras da Caixa), tarifas de avaliação e análise, e a taxa de juros com seu indexador, como TR ou IPCA.

Há uma distinção importante: nem toda despesa de uma compra de imóvel entra no CET. O ITBI é um imposto municipal pago na transferência do imóvel, e o registro é pago ao cartório. Se esses valores são ou não considerados depende de como a operação é estruturada. Peça o demonstrativo de cálculo e confira item por item.

Como usar o CET para comparar propostas?

Compare propostas apenas quando elas tiverem as mesmas condições-base. Use este roteiro:

  1. Peça a todas as instituições a simulação com o mesmo valor, o mesmo prazo e o mesmo sistema de amortização.
  2. Confirme o indexador: em taxa pós-fixada, o CET depende da projeção usada para o índice.
  3. Solicite o demonstrativo de cálculo do CET, que a instituição deve apresentar antes da contratação.
  4. Compare o CET anual, o valor líquido liberado, a parcela e o total pago.
  5. Escolha a proposta de menor CET, desde que a parcela caiba no orçamento.

Veja um exemplo hipotético, com um crédito de R$ 100.000 em 60 meses, Tabela Price:

 Proposta 1Proposta 2
Taxa de juros1,00% ao mês1,10% ao mês
Tarifa de cadastro (descontada do valor liberado)R$ 3.000Sem tarifa
Seguro mensalR$ 50Sem seguro
Valor líquido liberadoR$ 97.000R$ 100.000
Parcela mensalR$ 2.274,44R$ 2.285,56
Total pagoR$ 136.466,69R$ 137.133,52
CET1,20% ao mês (15,33% ao ano)1,10% ao mês (14,03% ao ano)

A Proposta 1 tem a menor taxa de juros e a menor parcela total entre as duas, mas o CET é mais alto: 15,33% contra 14,03% ao ano. A razão é que você recebe R$ 3.000 a menos no início e paga o seguro todo mês. O total pago também engana: a Proposta 1 parece R$ 666,83 mais barata, mas entrega R$ 3.000 a menos de crédito. O CET desfaz essa distorção porque compara o custo sobre o que foi de fato recebido.

Como a amortização reduz o custo total do financiamento?

Amortizar é pagar uma parte do saldo devedor antes do prazo. Com um saldo menor, os juros dos meses seguintes diminuem. O guia sobre amortização de financiamento explica o mecanismo com mais detalhe.

Um ponto de precisão: amortizar reduz o total pago, mas não altera o CET contratado. O CET representa o custo na data em que foi calculado, ou seja, na contratação. O que muda com a amortização é o valor que você ainda vai pagar.

Amortizar reduzindo o prazo ou a parcela?

No mesmo crédito do exemplo anterior (R$ 100.000, 60 meses, 1,00% ao mês, Tabela Price, sem tarifas), suponha uma amortização extra de R$ 20.000 após pagar 12 parcelas. Nesse momento, o saldo devedor é de R$ 84.470,98.

CenárioParcelaParcelas restantesTotal pago
Sem amortizaçãoR$ 2.224,4448R$ 133.466,69
Amortizar e reduzir o prazoR$ 2.224,44cerca de 35R$ 123.207,68
Amortizar e reduzir a parcelaR$ 1.697,7748R$ 128.186,20

O total pago inclui os R$ 20.000 da amortização. Reduzir o prazo economizou cerca de R$ 10.259 em relação ao contrato original, contra cerca de R$ 5.280 ao reduzir a parcela. O prazo curto economiza mais juros, mas exige manter a parcela cheia. Reduzir a parcela alivia o orçamento mensal. Veja mais no comparativo da CashMe sobre amortizar prazo ou prestação.

Como amortizar um financiamento na prática?

O caminho costuma ser parecido entre as instituições:

  1. Peça o saldo devedor atualizado e as condições de amortização.
  2. Escolha entre reduzir o prazo ou reduzir a parcela.
  3. Simule o efeito antes de confirmar.
  4. Pague o valor pelo meio indicado, geralmente um boleto.
  5. Confira no extrato seguinte se o saldo foi atualizado como esperado.

Você pode usar recursos próprios ou, em financiamentos habitacionais que se enquadrem nas regras, o saldo do FGTS. O uso do fundo tem regras próprias, e o passo a passo para usar o FGTS na amortização ajuda a conferir se o seu caso se encaixa.

Como o CET aparece no crédito com garantia de imóvel?

O financiamento não é a única forma de acessar crédito de longo prazo, e o CET serve para comparar todas as modalidades na mesma régua. Uma delas é o crédito com garantia de imóvel, em que o imóvel fica como garantia da operação por meio de alienação fiduciária. Se quiser entender a diferença para a hipoteca, veja o guia da CashMe sobre alienação fiduciária e hipoteca.

Nessa modalidade, o que importa para o CET são os custos da operação: avaliação do imóvel, análise jurídica, cartório, seguros e IOF. Em algumas instituições, esses itens são cobrados à vista. Em outras, são incorporados ao valor do crédito. Quando são incorporados, eles passam a compor o saldo devedor e, portanto, o custo que o CET representa. Por isso, compare o CET e o demonstrativo, e não só a parcela.

O crédito com garantia de imóvel exige atenção a um risco: em caso de inadimplência, o imóvel dado em garantia pode ser executado. Avalie se a parcela cabe no orçamento por todo o prazo.

  • Valores: de R$ 50 mil a R$ 25 milhões, limitados a 60% do valor do imóvel.
  • Prazo e carência: prazo de até 240 meses e carência de até 3 meses.
  • Taxas: prefixadas ou pós-fixadas, corrigidas pelo IPCA.
  • Imóveis aceitos: residenciais, comerciais e terrenos urbanos ou em condomínio, novos ou usados.
  • Imóvel financiado: aceito, desde que o saldo devedor somado ao novo crédito não passe de 60% da avaliação.
  • Garantidor e renda: possibilidade de usar imóvel de terceiro, que entra como garantidor, e de compor renda com vários participantes.
  • Custos da operação: avaliação, análise jurídica, cartório, seguros e IOF incorporados ao crédito, sem cobrança antecipada.

Durante o contrato, você continua usando o imóvel normalmente, para morar ou alugar. Para ver o CET da sua simulação, simule o crédito com garantia de imóvel da CashMe.

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Veja como a CashMe pode te ajudar:

Perguntas frequentes sobre custo efetivo total do financiamento

As perguntas abaixo reúnem as dúvidas mais comuns sobre o CET em financiamentos e empréstimos.

O que é CET em um financiamento?

CET é a sigla de custo efetivo total. É a taxa que reúne juros, tarifas, seguros, tributos e outras despesas de uma operação de crédito, mostrando o custo real do financiamento em um único percentual, em geral anual.

CET e taxa de juros são a mesma coisa?

Não. A taxa de juros mede apenas o custo do dinheiro emprestado. O CET inclui os juros e todos os demais encargos e despesas da operação. Por isso, o CET costuma ser maior que a taxa de juros.

O banco é obrigado a informar o CET?

Sim. Pela Resolução CMN 4.881/2020, a instituição deve informar o CET e apresentar o demonstrativo de cálculo antes da contratação, e também divulgar o CET nos informes publicitários. A regra vale para pessoas naturais, microempresas e empresas de pequeno porte, e não vale para crédito rural.

Como calcular o CET no Excel?

Use a função TAXA com o prazo, a parcela (como valor negativo) e o valor líquido liberado: =TAXA(prazo; -parcela; valor líquido). O resultado é o CET mensal. Para converter em anual, aplique (1 + CET mensal) elevado a 12, menos 1.

Amortizar o financiamento reduz o CET?

Não. O CET informado no contrato representa o custo na data da contratação e não é recalculado a cada amortização. O que a amortização reduz é o total de juros que você paga e, conforme a escolha, o prazo ou a parcela.

Posso comparar o CET de um financiamento com o de um empréstimo?

Pode, porque o CET expressa o custo em uma taxa padronizada. Para a comparação ser justa, use o mesmo valor, prazo e sistema de amortização, e confirme quais custos cada proposta incluiu no cálculo.

O CET inclui o ITBI e o registro do imóvel?

Depende de como a operação é estruturada. O ITBI é um imposto municipal pago na transferência do imóvel, e o registro é pago ao cartório. O CET abrange os encargos e despesas da operação de crédito, então peça o demonstrativo de cálculo para ver quais itens foram considerados.

Fontes

BANCO CENTRAL DO BRASIL. Resolução CMN nº 3.517, de 6 de dezembro de 2007: dispõe sobre a informação e a divulgação do custo efetivo total correspondente a todos os encargos e despesas de operações de crédito e de arrendamento mercantil. Brasília, DF: BCB, 2007. Revogada em 1º fev. 2021. Disponível em: https://normativos.bcb.gov.br/Lists/Normativos/Attachments/48005/Res_3517_v4_P.pdf. Acesso em: 12 out. 2026.

BANCO CENTRAL DO BRASIL. Resolução CMN nº 4.881, de 23 de dezembro de 2020: dispõe sobre o cálculo e a informação do Custo Efetivo Total (CET) relativo a operações de crédito e de arrendamento mercantil financeiro. Brasília, DF: BCB, 2020. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/content/estabilidadefinanceira/especialnor/Resolu%C3%A7%C3%A3o4881.pdf. Acesso em: 12 out. 2026.

CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. Perguntas frequentes: novos financiamentos habitacionais. Brasília, DF: Caixa, [s.d.]. Disponível em: https://www.caixa.gov.br/voce/habitacao/perguntas-frequentes-novos-financiamentos/Paginas/default.aspx. Acesso em: 12 out. 2026.

Os cálculos do exemplo são de elaboração própria, com valores hipotéticos.

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