Quem já possui um terreno está a meio caminho de conquistar o sonho da casa própria, mas o que muitos ignoram é que a outra metade da jornada costuma ser a mais cara. Para quem busca descobrir como financiar uma construção em terreno próprio, a boa notícia é que o mercado oferece diversas alternativas mesmo para quem ainda não tem o terreno quitado.
Entre as principais estão o financiamento para construção, o empréstimo com garantia de imóvel e o consórcio imobiliário. O blog da CashMe entrou em contato com especialistas para falar destas alternativas e traz os detalhes a seguir.
O que é o financiamento para construção em terreno próprio
O financiamento para construção é um crédito para quem já tem o terreno e precisa de recursos para erguer o imóvel. Segundo Jonata Tribioli, especialista em operações imobiliárias e diretor comercial da IBR Capital, a instituição analisa a capacidade de pagamento do cliente, a documentação do lote e o projeto da obra.
Para Débora Pezzotti Ribeiro, advogada e especialista em crédito imobiliário, este tipo de financiamento é uma linha sob medida. “Serve para iniciar uma construção residencial ou comercial, ou até concluir uma obra parada por falta de recursos próprios”, afirma.
Como funciona o financiamento para construção
Os especialistas explicam que o dinheiro é liberado por etapas, as chamadas tranches, conforme a obra avança. Por meio de uma vistoria, a instituição que financia confere o percentual executado antes de cada nova liberação de recursos.
Tribioli recomenda verificar quanto será liberado no início e quais gastos precisarão ser antecipados. “Também pode haver juros, atualização monetária, seguros e outras cobranças durante a obra. Quem continua pagando aluguel precisa incluir essas despesas na conta”, alerta o diretor da IBR Capital.
Quais são as formas de financiar a construção
Quem busca entender a dinâmica de como financiar construção em terreno próprio deve ter em mente que quando se trata da modalidade financiamento, o crédito vai diretamente para a obra e sai por etapas.
Já no empréstimo com garantia de imóvel, pode haver liberdade de uso do dinheiro. Enquanto o consórcio depende de sorteio ou lance e cobra taxa de administração. Tem ainda a alternativa de empréstimo pessoal, mas que exige cuidado com custos e prazos.
Tribioli, da IBR Capital, exemplifica e compara as modalidades com um caso hipotético de como funcionaria uma construção de R$ 400 mil em terreno quitado. Neste caso, seria possível obter até R$ 300 mil via crédito, deixando o restante a ser pago com dinheiro próprio. Veja abaixo:
| Modalidade | Crédito no exemplo | Quanto falta para pagar a obra | Como funciona |
| Financiamento para construção | R$ 300 mil | R$ 100 mil | O crédito é destinado à construção. A instituição analisa o projeto e normalmente libera o dinheiro por etapas, após verificar o andamento da obra. O terreno e a construção ficam em garantia. |
| Empréstimo com garantia de imóvel | R$ 300 mil | R$ 100 mil | O cliente coloca um imóvel em garantia. Depois da aprovação e do registro da garantia, recebe o dinheiro de uma vez e pode usá-lo para pagar a obra. A dívida é paga em parcelas, com juros e encargos. |
| Consórcio imobiliário | Carta de R$ 300 mil | R$ 100 mil | O cliente paga as parcelas do consórcio e pode usar a carta depois de ser contemplado por sorteio ou lance, desde que cumpra as exigências da administradora. Para construção, a liberação pode ocorrer por etapas, conforme o contrato. |
| Empréstimo pessoal | R$ 50 mil | R$ 350 mil | O cliente solicita o crédito com base na renda e na análise do seu perfil, sem colocar um imóvel em garantia. Após a aprovação, recebe o dinheiro para usar na obra e paga o empréstimo em parcelas, com juros e encargos. |
Fonte: Jonata Tribioli, IBR Capital
Obs: Valores hipotéticos, considerando o crédito disponível para construção. Custos e dívida ficam fora da conta. Em caso de lance de consórcio, o valor da carta diminui e o cliente precisa acrescentar mais dinheiro para fechar o orçamento.
Como financiar construção em terreno próprio
Os especialistas consultados pela CashMe destacam que o ponto de partida é o terreno. Tribioli aconselha começar conferindo a matrícula e o que pode ser construído no endereço. Depois, o próximo passo seria contratar um engenheiro ou arquiteto para definir o projeto e levantar os custos.
“Com esse trabalho feito, o cliente consegue buscar propostas para a necessidade real”, afirma Tribioli.
Na comparação, ele aconselha olhar o Custo Efetivo Total (CET) e o indexador, não só a taxa de juros.
Já Débora Pezzotti cita que as exigências mudam bastante de uma instituição para outra. A especialista compara por exemplo, o financiamento oferecido pela CashMe com o de outras instituições.
Atualmente, o Crédito para Construção da CashMe financia o início ou a conclusão de obras residenciais ou comerciais, para pessoa física, jurídica ou operações mistas. Os valores vão de R$ 50 mil a R$ 25 milhões, limitados a 50% do valor de avaliação do imóvel finalizado (ou 30% do terreno).
| Critério | CashMe | Demais instituições* |
| Comprovação de renda | Maior flexibilidade, incluindo análise de extratos bancários | Comprovação formal de renda ou relacionamento prévio |
| Carência | Até 3 meses para começar a pagar | Sem carência |
| Imóveis comerciais | Possibilidade de financiar | Apenas imóveis residenciais |
| Terreno com saldo devedor | Aceito, sujeito a análise | Terreno quitado e registrado em nome do comprador |
Comparação feita pela especialista
Requisitos e documentos para financiar a construção
Uma das dúvidas principais de quem está atrás do sonho de ter um imóvel é como financiar uma construção em terreno próprio com sucesso. Afinal, existe um checklist a ser seguido?
Para os especialistas, alguns requisitos devem ser levados em conta, entre estes: comprovar capacidade de pagamento, ter um terreno urbano e regularizado e apresentar projeto aprovado pela prefeitura.
Os documentos costumam incluir identificação, comprovantes de renda, matrícula atualizada, IPTU, projeto aprovado, alvará, memorial descritivo, orçamento, cronograma físico-financeiro e ART ou RRT do responsável técnico.
Além disso, podem ser solicitados Imposto de Renda, formulários próprios e outros comprovantes. Para empresas, entram documentos societários, financeiros e dos representantes.
Dá para financiar se o terreno ainda não estiver quitado?
Tribioli destaca que é possível sim, mas desde que a operação aceite esta condição. Ele exemplifica que se foram aprovados R$ 350 mil em financiamento e R$ 100 mil são usados para quitar o lote, restariam R$ 250 mil para construir, antes de outras despesas eventualmente descontadas.
É por este motivo que o especialista aconselha fazer um orçamento com o valor disponível para a obra e não com o total do contrato.
Terreno em nome de outra pessoa: o que muda
Outra dúvida comum sobre como financiar construção em terreno próprio é o que acontece quando o terreno está no nome de outra pessoa. Os especialistas destacam que isso muda a estrutura jurídica da operação. Segundo Tribioli, a autorização de um proprietário para construir não substitui a titularidade registrada.
Débora Pezzotti afirma que caso o imóvel estiver no nome de outra pessoa e ainda tenha saldo devedor, haverá a quitação do saldo ao proprietário e incidência do ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis) na transferência. “A maior vantagem neste caso é que a dívida do terreno será embutida no novo contrato, unificando tudo em um único saldo e único pagamento”, aponta.
Passo a passo para financiar a construção
Os especialistas citam que o primeiro passo é conferir a situação do terreno e as regras para construir no endereço. Depois, segundo Tribioli, vem a contratação do responsável técnico, que define o projeto e prepara orçamento e cronograma.
Com o projeto aprovado e o alvará em mãos, o cliente envia a documentação para análise. Pezzotti explica que, nessa etapa, a instituição avalia o perfil financeiro, o terreno, o projeto e a estimativa de preço do imóvel como se estivesse pronto. Aprovado o crédito, o contrato é assinado e registrado no Cartório de Registro de Imóveis e só então começam os desembolsos.
Ao concluir a obra, ainda é preciso obter o habite-se, regularizar a construção na Receita Federal e averbá-la. “As obrigações fiscais e cadastrais, incluindo o Cadastro Nacional de Obras, devem ser acompanhadas desde o início”, alerta Tribioli.
Quanto pedir: como definir o valor do financiamento
Tribioli afirma que o orçamento precisa cobrir tudo até a casa ficar pronta e regularizada. Isso inclui, além de materiais e mão de obra, custo de preparação do terreno, fundação, instalações, acabamentos, projetos, licenças, ligações de serviços e despesas financeiras.
O especialista da IBR Capital aconselha criar uma reserva para imprevistos, de entre 10% e 15% e que pode ser ajustada com o responsável técnico conforme o avanço do projeto.
Ele exemplifica com uma obra de R$ 400 mil, em que a reserva seria de R$ 40 mil e outras despesas de R$ 20 mil, o que leva o planejamento final para R$ 460 mil. Com R$ 100 mil disponíveis, faltariam R$ 360 mil. Segundo Tribioli, o crédito aprovado pode ser menor, porque depende da renda, da garantia e dos itens financiáveis.
“Ter o terreno quitado ajuda na estrutura da operação, mas não substitui o dinheiro necessário para pagar fornecedores entre as liberações. Eu preservaria a reserva de emergência da família”, destaca ele.
Já para moradia própria, Tribioli aconselha também verificar o uso do FGTS, desde que o trabalhador, o imóvel e a operação atendam às regras.
Crédito para Construção da CashMe
Entre as alternativas de como financiar construção em terreno próprio está o crédito oferecido pela CashMe, que financia o início ou conclusão de obras residenciais ou comerciais, para pessoa física, jurídica ou operações mistas. Os valores vão de R$ 50 mil a R$ 25 milhões, limitados a 50% do valor do imóvel finalizado ou 30% do terreno. Na construção unifamiliar, a garantia mínima é de R$ 500 mil.
O prazo chega a 240 meses, com carência de até 3 meses e o dinheiro é liberado em tranches conforme a obra avança. A linha aceita terreno quitado ou com saldo devedor, que é unificado à dívida da construção, sujeito a análise. Não são aceitos imóveis de uso misto, construções multifamiliares nem prédios com mais de três andares. Obras já iniciadas precisam ter ao menos 20% concluído e dívida do terreno abaixo de 70% do seu valor.
Para Pezzotti, a principal vantagem do crédito da CashMe é a flexibilidade para viabilizar a construção. Os juros, por exemplo, incidem apenas sobre os valores já liberados. Além disso, a especialista em crédito imobiliário destaca que existe a possibilidade de incorporar a dívida, permitindo a construção sem quitar previamente o terreno. Outra vantagem desta modalidade seria o prazo de 240 meses, distribuindo o saldo devedor por um período maior.
Já entre os pontos de atenção ela aconselha ter em mente que um prazo longo pode aumentar o total de juros pagos e que a liberação por etapas exige planejamento de caixa.
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Perguntas frequentes
1. Dá para financiar a construção com o terreno ainda não quitado?
Sim, desde que a operação aceite essa condição. Nesse caso, parte do crédito é usada para quitar o lote e o restante vai para a obra.
2. Como o dinheiro do financiamento é liberado?
Por etapas, as chamadas tranches. Antes de cada liberação, uma vistoria confere o andamento da obra.
3. Quais documentos são exigidos?
Em geral, identificação, comprovantes de renda, matrícula atualizada, IPTU, projeto aprovado, alvará, memorial descritivo, orçamento, cronograma e ART ou RRT.
4. Como definir quanto pedir no financiamento?
O orçamento precisa cobrir tudo até a casa ficar pronta e regularizada. Também vale prever uma reserva de 10% a 15% para imprevistos.
5. Quais são as condições do Crédito para Construção da CashMe?
Valores de R$ 50 mil a R$ 25 milhões, prazo de até 240 meses, carência de até 3 meses e liberação em tranches. A linha aceita terreno quitado ou com saldo devedor.








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