ESG: O que é e como funciona?

ícone de calendario

Atualizado:
14/12/2020

ícone de calendario

Publicado:
14/12/2020

ícone de relógio

Leitura de
5 min

ícone de conversa

Comentarios
0

Joyce Carla

Joyce Carla


Com a pandemia mundial de COVID-19, alguns movimentos vêm ganhando pauta no mundo moderno, entre eles a sigla ESG (environmental, social, governance), termo em inglês que fortalece um conceito largamente discutido num passado não tão distante, a sustentabilidade. Esse tema ganha uma visibilidade nos noticiários e uma nova roupagem que demonstra seu valor no mercado financeiro.

Se, para você, essas três letras também são recentes, fique tranquilo, porque veremos em detalhe o que ESG/ significa. Além disso, também vamos tratar sobre:

  • O que é uma empresa ESG;
  • A relação entre sustentabilidade e o mercado financeiro;
  • Os fundos ESG e como funciona esse tipo de investimento.

O que é ESG?

A sigla ESG significa Environmental, Social and Governance, e em português ASG, essa sigla representa o tripé ambiental, social e governança corporativa. Esse conceito está diretamente ligado à sustentabilidade, e surgiu no mercado financeiro como uma forma de identificar empresas que fazem a gestão desses temas em suas operações.

Embora o debate sobre ESG seja relativamente recente aqui no Brasil, o tema já está em evidência há um tempo. Não apenas por preocupações chaves desses últimos anos como mudanças climáticas, diversidade e a própria pandemia, mas também pelo aumento da conscientização seja ambiental ou social da sociedade.

O movimento para construirmos uma sociedade mais justa e ambientalmente responsável por meio de investimento consciente, não é efêmero. E sim um caminho – sem volta – para onde apontam as grandes economias e corporações.

A ideia de integrar aspectos ambientais, sociais e governança corporativa vem se espalhando rapidamente entre os investidores de todo o mundo. Um grande exemplo, é o aumento de investidores signatários de um movimento chamado PRI (Principles for Responsible Investment), princípios de investimento responsável – em português, esse movimento incentiva os investidores a olharem para questões ESG como uma forma responsável de aplicação e gestão de seus ativos, além de uma forma de gerenciamento de riscos.

ESG

 Além disso, grandes gestores de ativos no mundo como a Black Rock, já lançaram compromissos no mercado de só investirem em empresas que possuam essas práticas, “em dia”.

Essa agenda também vem ganhando espaço entre as decisões dos consumidores que mantêm o olhar atento às ações das empresas de gestão desses três temas, e principalmente sob crises reputacionais relacionadas à ESG. Esse público está muito focado principalmente na transparência dos meios produtivos e metas das empresas para tornarem um mundo melhor, segundo a uma pesquisa publicada este ano pelo Instituto Akatu e a Globe Scan.

Fatores ambientais (Environmental)

Uma das maiores preocupações em relação a parte ambiental é a crise climática (emissões de gases de efeito estufa – GEE, gestão de riscos e oportunidades em relação às mudanças do clima), além disso outros temas estão em pauta constante como a eficiência energética das empresas, uso de recursos naturais, biodiversidade e gestão de resíduos.

O tema do clima ainda é percebido ainda mais como foco, com a eleição de Joe Biden nos Estados Unidos. O futuro presidente americano já prometeu retomar o Acordo de Paris assim que assumir a Casa Branca. O acordo é um tratado mundial com o objetivo de reduzir as emissões de GEE, e consequentemente conter o aquecimento global abaixo de 2ºC.

Fatores sociais (Social)

Neste conjunto de fatores estão desde temas como diversidade e inclusão (D+I), relacionamento com comunidades, privacidade e proteção de dados, entre outros. Inegavelmente Direitos Humanos, tema que abarca D+I, tem sido um dos assuntos com grande apelo e visibilidade nos últimos tempos. Só para ilustrar, basta lembrar do movimento Black Lives Matter.

São comuns os boicotes e as perdas de market share de empresas que não se comprometem com esses pontos. Por isso, muito mais do que um marketing social, é preciso ter os fatores sociais como valores corporativos bem internalizados.

Fatores de governança (Governance)

O terceiro, e não menos importante fator, reúne ética, transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa. Mas não se resume a esses pontos.

Além disso, se incluem a diversidade e independência do conselho de administração, e até a estrutura dos comitê de auditoria e fiscal.

Primordialmente, a governança garante uma gestão empresarial íntegra, sem práticas ilícitas e ainda evita fraudes.

O que é uma empresa ESG?

Resumindo o que falamos acima, uma empresa ESG é aquela que busca melhorar suas práticas ambientais, sociais e de governança, tudo isso pautado no entendimento dos impactos positivos e negativos gerados pelo seu negócio.

A relação entre sustentabilidade e o mercado financeiro

Conforme o mercado financeiro foi entendendo a necessidade de avaliações e chancelas sobre essas práticas, os índices de sustentabilidade foram sendo criados e vem ganhando cada vez mais força.

O primeiro índice de sustentabilidade que surgiu no mercado mundial foi o Dow Jones Sustainability Index, em 1999, indexado a Bolsa de Nova York. E ao longo dos anos diversos outros foram sendo criados ao redor do mundo.

O Brasil foi responsável pela criação do 4º índice de sustentabilidade do mundo, o ISE B3 ( Índice de Sustentabilidade Empresarial), que surgiu em 2005. E conforme relatório da B3, a carteira atual reúne 46 ações de 39 companhias. Em resumo, o ISE B3 representa 15 setores da economia e soma R$ 1,8 trilhão em valor de mercado.

Esses índices avaliam e guiam as empresas sobre práticas necessárias para gestão da sustentabilidade (ESG). Além disso, esses índices são utilizados por muitos investidores sobre em quais empresas eles devem direcionar seus investimentos.

A vantagem desses índices é que em questão de rentabilidade e estabilidade, as empresas que pertencem a essas carteiras apresentam ações melhores pontuadas na bolsa, sendo um investimento de menor risco e maior retorno para esses investidores.

“O desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer suas próprias necessidades.” – B3

Fundos ESG

Agora que você já entendeu um pouco mais sobre o tema, fica mais fácil entender o que são fundos ESG. São aqueles que aportam recursos em investimentos sustentáveis. Atualmente há diversas opções no Brasil de fundos ESG, em especial as ETFs, índices que explicamos acima (fundos de índices).

Entre os índices de sustentabilidade de B3 estão:

  • ISE B3: Índice de Sustentabilidade Empresarial;
  • ICO2 B3: Índice Carbono Eficiente;
  • IGC: Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada;
  • IGCT: Índice de Governança Corporativa Trade;
  • IGC-NM: Índice Governança Corporativa – Novo Mercado;
  • ITAG: Índice de Ações com Tag Along Diferenciado.

No mundo, mais de US$ 30 trilhões em ativos são gerenciados por fundos que definiram estratégias sustentáveis. E a busca por investimentos responsáveis social ou ambientalmente tem crescido ano a ano. Ou seja, a tendência é de que vai se intensificar no curto prazo.

Por que se preocupar com ESG?

Não apenas o comportamento dos consumidores, como também dos investidores têm pressionado as empresas a se reinventarem. Mas, mesmo quem ainda não é investidor ou empresas que não participam do mercado de capitais, devem ficar atentos às questões ambientais, sociais e de governança. Até porque, como dito anteriormente, esse conceito de sustentabilidade tende a aumentar, inclusive no Brasil.

Além disso, as grandes economias estão aumentando a regulação e reforçando os tópicos de ambiente, social e governança. Por fim, é importante se preocupar com ESG pelo retorno que ele gera para as empresas tanto economicamente, quanto de futuro. Porque sustentabilidade é perenidade.

 Conclusão

Enfim, o conceito de ESG é um processo de adaptação para o qual as corporações estão se encaminhando. Dessa forma, cada companhia pode estar em um ponto diferente da jornada, com foco maior ou menor em cada fator.

Esse é um futuro já chegou e todas as empresas passarão por essa transformação de propósito em gerar um lucro consciente e de qualidade.


Joyce Carla

Escrito por Joyce Carla

Jornalista, investidora e especialista em Educação Financeira.


Separamos mais essas notícias para você:

Faça seu comentário!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Utilizamos cookies e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa política de privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições.

CONCORDAR E FECHAR