A tabela Price e a tabela SAC são dois sistemas de amortização, ou seja, duas regras para dividir o pagamento de uma dívida em parcelas. Elas definem quanto de cada parcela abate a dívida e quanto paga juros.
No SAC (Sistema de Amortização Constante), a parte da parcela que abate a dívida é sempre igual, então a parcela começa alta e diminui. Na Price, a parcela é fixa do início ao fim.
Para o mesmo valor, taxa e prazo, o SAC começa com parcela maior e paga menos juros no total. A Price começa com parcela menor e paga mais juros no total.
No exemplo que vamos trabalhar no texto (R$ 200 mil, 240 meses e 1% ao mês), a diferença no total de juros passa de R$ 87 mil. A escolha depende de quanto cabe no orçamento hoje e de quanto o leitor quer pagar de juros ao final.
O que é sistema de amortização e como funcionam a tabela Price e o SAC?
Amortização é a parte da parcela que reduz o saldo devedor, isto é, a dívida principal. A outra parte da parcela são os juros, que remuneram quem emprestou o dinheiro.
Toda parcela é a soma de amortização e juros, e os juros do mês incidem sobre o saldo devedor. O sistema de amortização é a regra que define como essa divisão muda ao longo do contrato.
Os dois sistemas mais usados no Brasil são o SAC e a Price, também chamada de Sistema Francês de Amortização. Existem outros, como o Sistema de Amortização Misto (SAM), que combina características dos dois e é menos comum.
O que é a tabela SAC?
A tabela SAC (Sistema de Amortização Constante) abate o mesmo valor da dívida em todas as parcelas. Como os juros incidem sobre um saldo que diminui a cada mês, a parcela total cai ao longo do tempo.
As principais características do sistema são:
- Amortização: valor fixo todos os meses, igual ao valor financiado dividido pelo número de parcelas.
- Juros: caem todos os meses, porque incidem sobre um saldo devedor menor.
- Parcela: começa na mais alta do contrato e diminui de forma regular até a última.
Como calcular a tabela SAC passo a passo?
O cálculo do SAC usa apenas divisão e multiplicação. Para mostrar cada etapa, o exemplo adota um financiamento hipotético de R$ 200.000, em 240 meses, com taxa de 1% ao mês.
- Passo 1, amortização: R$ 200.000 divididos por 240 parcelas resultam em R$ 833,33 por mês.
- Passo 2, juros do mês 1: 1% sobre o saldo de R$ 200.000 resulta em R$ 2.000,00.
- Passo 3, parcela do mês 1: R$ 833,33 de amortização mais R$ 2.000,00 de juros resultam em R$ 2.833,33.
- Passo 4, novo saldo: R$ 200.000,00 menos R$ 833,33 resultam em R$ 199.166,67.
- Passo 5, mês 2: 1% sobre R$ 199.166,67 resulta em R$ 1.991,67 de juros, e a parcela cai para R$ 2.825,00.
A parcela diminui R$ 8,33 por mês, que é a amortização (R$ 833,33) multiplicada pela taxa (1%). A fórmula geral é: parcela do mês = amortização fixa + (saldo devedor x taxa mensal).
O que é a tabela Price?
A tabela Price é um sistema em que a parcela é fixa do primeiro ao último mês, desde que a taxa seja prefixada e não haja correção monetária. Por isso, é conhecida pela previsibilidade.
Para manter a parcela igual, a divisão interna muda a cada mês. No começo, a maior parte da parcela paga juros e a amortização é pequena. Com a queda do saldo, os juros diminuem e a amortização cresce.
- Parcela: fixa durante todo o contrato.
- Amortização: pequena nos primeiros meses e crescente ao longo do prazo.
- Juros: mais pesados no início e decrescentes com o tempo.
Como calcular a tabela Price passo a passo?
O cálculo da Price exige primeiro encontrar a parcela fixa e, depois, separar juros e amortização mês a mês. A fórmula da parcela é: parcela = valor financiado x taxa / (1 – (1 + taxa) elevado a -n), em que n é o número de parcelas. Em planilhas, a função PGTO faz essa conta.
No mesmo exemplo (R$ 200.000, 240 meses, 1% ao mês), o cálculo fica assim:
- Passo 1, parcela fixa: R$ 200.000 x 0,01 = R$ 2.000. O fator (1,01 elevado a -240) é cerca de 0,0918, e 1 menos esse valor dá 0,9082. R$ 2.000 divididos por 0,9082 resultam em R$ 2.202,17.
- Passo 2, juros do mês 1: 1% sobre R$ 200.000 resulta em R$ 2.000,00.
- Passo 3, amortização do mês 1: R$ 2.202,17 menos R$ 2.000,00 resultam em R$ 202,17.
- Passo 4, novo saldo: R$ 200.000,00 menos R$ 202,17 resultam em R$ 199.797,83.
- Passo 5, mês 2: 1% sobre R$ 199.797,83 resulta em R$ 1.997,98 de juros, e a amortização sobe para R$ 204,19.
Note que, no primeiro mês, apenas R$ 202,17 dos R$ 2.202,17 pagos reduzem a dívida. No SAC, são R$ 833,33.
Qual é a diferença entre SAC e Price?
A diferença central está no que permanece constante: no SAC, é a amortização; na Price, é a parcela. Essa escolha altera o valor das primeiras parcelas, o ritmo de queda da dívida e o total de juros pagos.
A tabela abaixo compara os dois sistemas para o mesmo valor, a mesma taxa e o mesmo prazo.
| Característica | SAC | Price |
| O que é constante | Amortização | Parcela |
| Comportamento da parcela | Começa alta e diminui | Fixa do início ao fim |
| Primeira parcela | Maior | Menor |
| Queda do saldo devedor | Mais rápida | Mais lenta |
| Total de juros | Menor | Maior |
| Uso mais comum | Financiamentos imobiliários | Financiamentos de veículos e crédito pessoal |
Simulação: quanto custa cada sistema para o mesmo financiamento?
A simulação usa o mesmo cenário dos cálculos anteriores: R$ 200.000, 240 meses e 1% ao mês, valores hipotéticos escolhidos para fins didáticos. Em contratos reais, entram também seguros, tarifas, tributos e, em alguns casos, correção monetária. Esses itens compõem o CET (Custo Efetivo Total) e tornam a parcela real maior que a simulada aqui.
A primeira tabela mostra como o SAC se comporta em meses selecionados.
| Mês | Parcela | Juros | Amortização | Saldo após o pagamento |
| 1 | R$ 2.833,33 | R$ 2.000,00 | R$ 833,33 | R$ 199.166,67 |
| 2 | R$ 2.825,00 | R$ 1.991,67 | R$ 833,33 | R$ 198.333,33 |
| 3 | R$ 2.816,67 | R$ 1.983,33 | R$ 833,33 | R$ 197.500,00 |
| 120 | R$ 1.841,67 | R$ 1.008,33 | R$ 833,33 | R$ 100.000,00 |
| 240 | R$ 841,67 | R$ 8,33 | R$ 833,33 | R$ 0,00 |
A segunda tabela mostra os mesmos meses na Price.
| Mês | Parcela | Juros | Amortização | Saldo após o pagamento |
| 1 | R$ 2.202,17 | R$ 2.000,00 | R$ 202,17 | R$ 199.797,83 |
| 2 | R$ 2.202,17 | R$ 1.997,98 | R$ 204,19 | R$ 199.593,63 |
| 3 | R$ 2.202,17 | R$ 1.995,94 | R$ 206,24 | R$ 199.387,40 |
| 120 | R$ 2.202,17 | R$ 1.541,53 | R$ 660,64 | R$ 153.492,56 |
| 240 | R$ 2.202,17 | R$ 21,80 | R$ 2.180,37 | R$ 0,00 |
O resultado consolidado ao final dos 240 meses é este:
| Indicador | SAC | Price |
| Primeira parcela | R$ 2.833,33 | R$ 2.202,17 |
| Última parcela | R$ 841,67 | R$ 2.202,17 |
| Total de juros | R$ 241.000,00 | R$ 328.521,34 |
| Total pago | R$ 441.000,00 | R$ 528.521,34 |
A Price custa R$ 87.521,34 a mais no total. Em compensação, a primeira parcela do SAC é R$ 631,16 maior que a da Price, e essa vantagem da Price dura até o mês 76. A partir da parcela 77, o SAC passa a ter valor menor (R$ 2.200,00) que a parcela fixa da Price.
Outro ponto é o ritmo de quitação: no mês 120, o saldo devedor é de R$ 100.000,00 no SAC e de R$ 153.492,56 na Price.
SAC ou Price: qual é melhor para o seu caso?
Não existe sistema melhor em qualquer situação. A escolha depende da relação entre a parcela inicial e o orçamento, do prazo e de quanto custo total o leitor aceita pagar.
Quando o SAC tende a compensar
O SAC costuma ser mais vantajoso para quem tem folga no orçamento no início e prioriza pagar menos juros. A dívida cai mais rápido, e a parcela diminui com o tempo.
- Custo total: menor que o da Price para a mesma taxa e prazo.
- Orçamento: exige capacidade de pagar a parcela inicial mais alta.
- Horizonte: favorece quem pretende manter o contrato por muitos anos.
Quando a Price tende a compensar
A Price costuma fazer sentido para quem precisa de uma parcela inicial menor ou de previsibilidade total no orçamento. Parcelas iguais facilitam o planejamento mensal.
- Parcela inicial: menor que a do SAC, o que pode ajudar a caber na renda.
- Previsibilidade: mesma parcela do início ao fim, em taxas prefixadas sem correção.
- Contrapartida: juros totais maiores e saldo devedor que cai mais devagar.
SAC ou Price em financiamento imobiliário?
Em financiamentos imobiliários, o SAC costuma ser o sistema mais oferecido, mas as condições variam por instituição e por contrato. Muitas instituições limitam a parcela a uma fração da renda, e como a primeira parcela do SAC é maior, o valor aprovado pode ser menor.
Em contratos com correção monetária, o saldo devedor é atualizado ao longo do tempo. Como o SAC reduz o saldo mais rápido, o efeito dessa correção tende a ser menor. O mais seguro é pedir a simulação nos dois sistemas e comparar o CET e o total pago.
O que muda ao amortizar o financiamento em cada sistema?
Amortizar o financiamento significa pagar um valor adicional para abater o saldo devedor antes do prazo. Como os juros incidem sobre o saldo, cada real amortizado deixa de gerar juros nos meses seguintes. Isso vale para o SAC e para a Price.
Reduzir o prazo ou reduzir a parcela?
Na maioria dos contratos, o leitor pode escolher entre diminuir o número de parcelas ou diminuir o valor da parcela. Reduzir o prazo costuma gerar maior economia de juros, enquanto reduzir a parcela alivia o orçamento mensal. As opções disponíveis e eventuais regras constam no contrato.
Como o saldo devedor responde em cada sistema?
O saldo devedor da Price cai mais devagar nos primeiros anos. No exemplo, no mês 120 ele era de R$ 153.492,56, contra R$ 100.000,00 no SAC. Há, portanto, mais saldo a abater e mais juros a evitar na Price, sobretudo quando a amortização extra ocorre cedo.
No SAC, a amortização já é maior desde o início, e o ganho de cada pagamento extra é menor em valor absoluto, mas o contrato também termina mais cedo. Em ambos os casos, vale conferir se há tarifa ou prazo mínimo para solicitar a amortização.
Como comparar o custo total de um crédito?
Comparar propostas apenas pela taxa de juros ou pela parcela pode levar a escolhas caras. O Banco Central define o CET como a taxa percentual anual que reúne juros, tarifas, tributos, seguros e outras despesas da operação. Segundo a Resolução CMN nº 4.881/2020, a instituição deve informar o CET na oferta e na contratação de crédito com pessoas naturais e com microempresas e empresas de pequeno porte.
Para comparar duas ou mais ofertas, peça a simulação com o mesmo valor e o mesmo prazo e observe:
- CET: o custo anual completo da operação, que permite comparar propostas com condições diferentes.
- Sistema de amortização: SAC ou Price muda parcela inicial e total de juros.
- Total pago: soma de todas as parcelas, que mostra o custo final em reais.
- Indexador: taxa prefixada tem parcela previsível, e a pós-fixada acompanha um índice, como o IPCA.
- Parcela e renda: a parcela precisa caber no orçamento sem comprometer outras despesas.
Entre as opções que podem entrar nessa comparação está o crédito com garantia de imóvel, também conhecido como Home Equity. Nele, o imóvel fica vinculado ao contrato por meio da alienação fiduciária, prevista na Lei 9.514/97, e o cliente continua usando o bem normalmente, para morar ou alugar.
Para entender o passo a passo da operação, veja como funciona o empréstimo com garantia de imóvel.
Na CashMe, o imóvel também pode estar financiado, desde que o saldo devedor somado ao novo crédito não ultrapasse 60% da avaliação. O empréstimo com garantia de imóvel financiado também permite que o bem pertença a um terceiro, que entra como garantidor, e que a renda seja composta por mais de um participante.
Como em qualquer crédito, a decisão deve considerar o CET e a parcela que cabe no orçamento. Por se tratar de operação com garantia, o descumprimento do contrato pode levar à execução da garantia nos termos da lei, o que reforça a importância de comparar com outras linhas antes de contratar.
A simulação de crédito com garantia de imóvel na CashMe é feita de forma online.
Perguntas frequentes
As respostas abaixo resumem os pontos principais do guia, com base no exemplo hipotético de R$ 200 mil, 240 meses e 1% ao mês.
Qual é a diferença entre tabela SAC e tabela Price?
No SAC, a amortização é constante e a parcela diminui ao longo do tempo. Na Price, a parcela é fixa e a amortização cresce. Com mesma taxa, valor e prazo, o SAC começa com parcela maior e paga menos juros no total.
Qual sistema tem menos juros no total, SAC ou Price?
Para a mesma taxa, valor e prazo, o SAC paga menos juros, porque reduz o saldo devedor mais rápido. No exemplo, o SAC soma R$ 241.000,00 de juros e a Price, R$ 328.521,34.
Por que a parcela do SAC é maior no início?
Porque a amortização é fixa e os juros do primeiro mês incidem sobre o saldo integral. No exemplo, são R$ 833,33 de amortização mais R$ 2.000,00 de juros, o que resulta em R$ 2.833,33. A parcela cai à medida que o saldo diminui.
A parcela da Price muda ao longo do tempo?
Em taxas prefixadas e sem correção monetária, a parcela da Price é fixa, mas o que muda é a composição: os juros caem e a amortização cresce. Seguros, tarifas e correção monetária podem alterar o valor total cobrado no contrato.
SAC ou Price: qual é melhor para financiamento imobiliário?
Depende do orçamento e do custo total que o leitor aceita pagar. O SAC costuma ter menor custo final, e a Price, parcela inicial menor. O ideal é simular os dois sistemas e comparar o CET e o total pago.
Posso amortizar o financiamento antes do prazo nos dois sistemas?
Em geral, sim. A amortização extraordinária reduz o saldo devedor e os juros futuros no SAC e na Price. Normalmente, é possível escolher entre reduzir o prazo ou a parcela, conforme as regras do contrato.
O que é CET e por que olhar além da taxa de juros?
CET significa Custo Efetivo Total e reúne juros, tarifas, tributos, seguros e outras despesas da operação em uma taxa anual. Duas ofertas com a mesma taxa de juros podem ter CET diferente por causa dos custos adicionais.
Como saber qual sistema de amortização meu contrato usa?
O sistema de amortização deve constar na proposta e no contrato. Se não estiver claro, o leitor pode pedir à instituição a planilha de cálculo, que detalha cada parcela, e conferir também o CET informado.
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Referências
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Resolução CMN nº 4.881, de 23 de dezembro de 2020. Dispõe sobre o cálculo e a informação do Custo Efetivo Total (CET) relativo a operações de crédito e de arrendamento mercantil financeiro. Brasília, DF: BCB, 2020. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/content/estabilidadefinanceira/especialnor/Resolu%C3%A7%C3%A3o4881.pdf. Acesso em: 6 out. 2026.
BANCO CENTRAL DO BRASIL; SECRETARIA NACIONAL DO CONSUMIDOR. Consumo e Finanças: CET, Custo Efetivo Total. Brasília, DF: BCB; Senacon, 2013. Disponível em: https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/seus-direitos/consumidor/Anexos/boletimconsumofinancas08-cet-2013-custo-efetivo-total.pdf. Acesso em: 6 out. 2026.
BRASIL. Lei nº 9.514, de 20 de novembro de 1997. Dispõe sobre o Sistema de Financiamento Imobiliário, institui a alienação fiduciária de coisa imóvel e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 1997. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9514.htm. Acesso em: 6 out. 2026.









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