Como funciona empréstimo para banco

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Atualizado:
12/06/2021

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Publicado:
12/06/2021

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Redação CashMe

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O empréstimo para banco, conhecido também como Certificado de Depósito Interbancário (CDI), é um título emitido pelos bancos para regular empréstimos de curtíssimo prazo entre as próprias instituições. 

Pode parecer estranho pensar que existe empréstimo para banco, mas isso acontece porque o Banco Central obriga os bancos e instituições financeiras a fecharem o dia com saldo positivo. 

Isso porque este saldo, conhecido também como Índice de Basileia, determina a proporção de dinheiro que um banco precisa ter em relação aos empréstimos que pode oferecer. 

Quando o banco não fecha o dia com o saldo positivo de acordo com essa norma, ele empresta recursos de outro banco para não descumprir a regra do Banco Central e o CDI é o título usado nessas operações entre as instituições financeiras.

Por ser um processo um tanto complexo e pouco conhecido, separamos aqui algumas informações para você entender sobre esse processo e como ele pode afetar outras áreas do mercado financeiro.

O que é o empréstimo para banco?

Durante um dia, acontece um grande fluxo de dinheiro em um banco. Essas quantias podem sair das contas da instituição financeira na forma de empréstimos, investimentos, pagamentos e transferências e entrar como depósitos, transferências, entre outras possibilidades.

Em um sistema de reservas fracionárias, como é o sistema bancário brasileiro, os bancos mantêm em sua posse apenas uma fração do dinheiro total que movimentam. Consequentemente, isso gera uma situação em que os bancos ficam alavancados, isto é, devem mais do que realmente possuem.

Com isso, o Banco Central determina quanto cada banco deve manter guardado. Esse dinheiro deve ficar depositado em uma conta que a instituição tem no Banco Central, que é chamado de depósito compulsório.

A quantidade de dinheiro prevista de depósito compulsório que um banco deve possuir é calculada ao final do dia, contabilizando todas as operações realizadas por ela ao longo do dia.

Quando a instituição financeira está com valor menor do que o previsto pelo Banco Central é o momento de recorrer ao empréstimo.

E nesse cenário, para evitar empréstimos com o governo, que cobra juros altos, os bancos emprestam dinheiro entre si.

No caso das instituições financeiras que possuem reservas em excesso em sua conta no Banco Central, essas são responsáveis por emprestar dinheiro para aqueles que precisam, cobrando juros e usufruindo dos rendimentos.

Ou seja, quando o banco possui saldo negativo na sua conta recorre ao empréstimo para cobrir o prejuízo. E quando estão com saldo positivo emprestam o dinheiro para cobrar juros e não deixar a quantia parada e sem rendimento.

Essa negociação entre bancos que explicamos acima é chamada de mercado interbancário.

Como funciona o empréstimo para banco?

Em muitos casos, um banco precisa pegar dinheiro emprestado de outro, para resolver algum problema pontual de liquidez, como explicamos acima. E assim como qualquer outro tipo de empréstimo, essa modalidade também tem uma taxa de juros.

Quando esse empréstimo tem maturidade de um dia, isto é, um prazo de 24 horas para devolução, ele é realizado por meio da emissão de um Certificado de Depósito Interbancário, o CDI. O CDI é registrado na CETIP, a Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos Privados.

Então, todos os dias a CETIP apura qual é a média entre as taxas de juros praticadas nesses empréstimos, por meio dos CDIs registrados. O resultado é o que chamamos de taxa DI ou taxa CDI.

Ou seja, o CDI é uma taxa que reflete o quanto os bancos estão ganhando de juros por emprestar dinheiro para outros bancos.

Essa taxa é utilizada como referência quando fazemos o cálculo da rentabilidade de outros papéis, outros títulos financeiros. Por exemplo, podemos dizer que certa aplicação rende 110% da taxa DI. Ou seja, se a taxa DI é de 10% ao ano, essa aplicação rende 11% ao ano.

Como o empréstimo para banco afeta o mercado de investimentos?

O empréstimo para banco, CDI ou a taxa DI, há muito tempo vem sendo uma importante referência para os investidores, na hora de decidir onde aplicar o dinheiro.

Um cidadão comum não pode investir diretamente no CDI – mas os bancos e instituições financeiras usam a Taxa CDI para regular quanto rendem alguns tipos de investimento.

Existem diferentes tipos de investimento no mercado, mas os de renda fixa podem ser divididos em duas categorias:

  • Pré-fixado: são aqueles em que a taxa de rendimento já é estipulada na hora que o cliente escolhe aquela aplicação;
  • Pós-fixados: são aqueles definidos no vencimento da aplicação, por um índice de referência.

Para compreender o que é CDI é importante ter em mente que essa taxa representa justamente um dos principais índices de referência para alguns investimentos de renda fixa, como:

  • CDB (Certificado de Depósito Bancário);
  • LCI (Letra de Crédito Imobiliário)
  • LCA (Letra de Crédito do Agronegócio)
  • LC (Letra de Câmbio).

Entretanto, desde 2019, quando a taxa Selic começou a passar por reduções significativas, tornou-se necessário tomar cuidado para não apoiar decisões de investimento apenas usando a taxa DI como referencial. 

Em outras palavras, o fato de um ativo financeiro “superar o CDI” não é mais suficiente para quem busca um bom rendimento nos investimentos. Se você não estiver atento a essa mudança pode, inclusive, perder dinheiro. 

O motivo é que algumas promessas de rendimento atreladas ao CDI podem ficar abaixo da inflação. Dessa forma, quando o investidor resgatar seu dinheiro, aquele valor compra menos do que na época em que ele aplicou.

Nesse cenário, especialmente para os investidores que adotam uma estratégia de longo prazo, vale a pena deixar o CDI de lado como referencial.

Conclusão

Entender o que é e como funciona o empréstimo para banco é importante inclusive para você investir, como mostramos acima. Apesar de parecer muito incomum esse tipo de negociação, conhecida como Interbancária, é um processo recorrente no mercado financeiro.

Por isso, se você trabalha com investimentos ou em banco, é importante compreender esse processo e saber qual impacto pode ter para você. Para isso é fundamental acompanhar as regras do Banco Central e também a taxa DI.

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Redação CashMe

Escrito por Redação CashMe

Equipe de redação de CashMe. Todos os conteúdos são revisados por especialistas do ramo e atualizados periodicamente.


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