Spread bancário é a diferença entre a taxa de juros que o banco oferece quando você vai fazer um investimento e a taxa de juros que ele cobra quando você vai pedir crédito. Veja o que influencia sua composição e porque o Brasil tem um dos spreads bancários mais altos.

Spread bancário é um termo que pode parecer estar longe de influenciar a sua vida, mas não é bem assim. Se você investe dinheiro ou alguma vez solicitou/vai solicitar crédito, esse conceito será importante para conhecer melhor a atuação das instituições financeiras e a influência do spread bancário na taxa de juros que ela te oferece.  

O que é spread bancário

Spread bancário é a diferença entre a taxa que o banco paga ao poupador e a taxa que ele cobra do tomador de empréstimo. De maneira muito simplificada, pense no banco como um lugar onde se encontra quem tem e quem precisa de dinheiro. No intermédio desses interesses, o banco oferece uma rentabilidade para aqueles que investem e cobra um valor daqueles que emprestam. A diferença entre essas taxas é chamada de spread bancário. 

Como funciona o spread bancário

Por exemplo, vamos supor que um banco ofereça um investimento a uma rentabilidade com 100% da Selic, correspondendo a 3% ao ano. O mesmo banco oferece um empréstimo com uma taxa de juros de 38%. O spread bancário equivaleria a 35 pontos percentuais (38 – 3). 

O que compõe o spread bancário?

É comum associar o spread bancário ao lucro do banco. Porém, não é só isso que o compõe. Através dele, o banco consegue pagar custos administrativos e trabalhistas da instituição, proteger-se de calotes e, claro, obter lucro. Afinal, o banco também é um negócio e precisa visar lucro. A seguir, listamos os principais fatores que, junto ao lucro, compõem o spread bancário.

1. Custos administrativos:

Os bancos também têm gastos administrativos. Pense que o atendimento ao cliente é apenas um ponta das operações feitas por eles. Por trás disso estão gastos com infraestrutura física e digital, caixas eletrônicos, segurança, folha de pagamento etc. 

2. Depósito compulsório e FGC

O depósito compulsório é uma prática do Banco Central (BC) que obriga as instituições financeiras a deixarem parte do dinheiro captado no próprio BC. Parte dos recursos captados (atualmente, 0,0125%) também deve ser colocada no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O FGC é uma instituição que protege o dinheiro dos clientes (poupança, conta corrente, investimentos etc). 

3. Impostos

A política fiscal de qualquer país também vai influenciar o spread bancário. Mesmo se um banco não quisesse obter lucro em um empréstimo, ele ainda precisaria incluir os custos e os impostos para não ficar no prejuízo. 

No Brasil, as instituições consideram na conta tributações como o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), impostos sobre a renda (IR) e impostos sobre o lucro da instituição (CSLL).

4. Inadimplência

O risco de não receber o valor do crédito influencia diretamente na hora de calcular a taxa de juros de um empréstimo. Portanto, a inadimplência é um fator fundamental no spread bancário, pois o banco usa a taxa de juros como uma maneira de se proteger de eventuais calotes.

O que o spread bancário tem a ver com juros?

Tudo! Teoricamente, um spread bancário menor permitiria uma taxa de juros mais baixa para créditos. Assim, pessoas que precisam de empréstimos e financiamentos poderiam encontrar condições mais interessantes. Com mais dinheiro na mão, o consumidor tende a girar a economia, empreender, saldar dívidas etc.   

E, claro, se a taxa de juros dos investimentos são maiores, mais pessoas irão se sentir atraídas a não deixar o dinheiro parado, aumentando a captação.

Por que o spread bancário é tão alto no Brasil? 

O spread bancário no Brasil é alto. Mas não é só isso: ele é um dos mais altos do mundo. Reunimos aqui alguns fatores que os especialistas citam ao tentarem explicar o alto spread bancário brasileiro.

A Selic e os impostos 

Os altos tributos, o FGC e os compulsórios são alguns argumentos trazidos pelos bancos como fatores que pesam no spread. A taxa Selic por muitos anos foi conhecida por ser bem alta se comparada a outros países. Como ela é a taxa básica de juros do Brasil, influenciando em todas as outras taxas de juros como empréstimos e investimentos, seu percentual acaba sendo associado por alguns ao alto spread bancário. 

Concentração bancária 

Algumas vertentes falam dos altos lucros dos bancos, facilitados pela alta concentração do setor. É só pensar nos bancos mais tradicionais: quantos você consegue nomear? No Brasil, a maior parte do mercado é dominada por cinco grandes instituições, o que gera pouca concorrência e uma certa estabilidade para que eles pratiquem as taxas de juros sem se preocupar em perder tanto mercado . 

Inadimplência e tempo de recuperação do dinheiro 

Alguns especialistas indicam que a alta fama de maus pagadores que têm os brasileiros é um dos motivos principais para uma taxa de juros tão alta para créditos. Em janeiro de 2020, estimou-se que o país tinha cerca de 61,3 milhões de pessoas em bases de dados que cadastram devedores. Os dados são da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). 

Além disso, é grande a demora e a burocracia no processo de recuperação do dinheiro quando um cliente deixa de pagar a dívida de um empréstimo ou financiamento. Para ter alguma margem de proteção, os bancos tentam mitigar a inadimplência e o tempo de recuperação cobrando uma taxa de juros maior.

Como diminuir o spread bancário? 

As ações para diminuir o spread bancário vêm sendo planejadas e colocadas em práticas pelo Banco Central. O corte na Taxa Selic que observamos nos últimos anos é uma delas, visando contribuir para a diminuição da taxa de juros – apesar disso, o spread bancário não apresentou grandes mudanças. 

O cadastro positivo, lançado recentemente, reúne em um sistema o histórico de pagamento dos clientes, atribuindo notas altas aos que têm perfil de bons pagadores. Isso facilita para o banco a flexibilização da taxas de juros com base em uma análise mais pessoal e não tanto da inadimplência nacional. 

Apesar da inadimplência ter um dos maiores pesos na composição do spread bancário, o lucro dos bancos é quase tão grande, ou muito próximo, na conta final. Muitos defendem que o mercado precisa ter mais concorrências. 

A chegada das instituições financeiras digitais, as fintechs, promete contribuir para isso. Além de modernizarem a burocracia associada aos bancos tradicionais, elas possuem um custo administrativo relativamente menor se considerarmos que os atendimentos são online e dispensam tantos gastos com agências físicas. Isso contribui para que, muitas vezes, as taxas de rentabilidade de investimentos possam ser maiores e as taxas de juros de empréstimo sejam bem mais atrativas. 

É preciso novas aberturas para poder oferecer com segurança melhores formas de créditos, como o empréstimo com garantia de imóvel.

E, caso aconteça o calote, a negociação precisa ser mais eficaz e o tempo de recuperação menor. O fato é que a diminuição do spread bancário nos próximos anos dependerá  de um esforço conjunto de vários setores das esferas pública e privada – estimulando mudanças na lei, na execução da lei, na política fiscal e no mercado. 

A CashMe não realiza qualquer atividade privativa de instituições financeiras, como financiamentos e/ou empréstimos. Essas operações são realizadas através de parceiros autorizados pelo BACEN, nos termos da Resolução nº 3.954, de 24 de fevereiro de 2011. As operações são realizadas através das seguintes instituições: Companhia Hipotecária Brasileira – CHB (CNPJ 10.694.628/0001-98), Companhia Hipotecária Piratini – CHP (CNPJ 18.282.093/0001-50).

Informações complementares referentes ao Empréstimo com Garantia de Imóvel: mínimo de 36 meses e máximo de 144 meses. “””Exemplo – Empréstimo de R$ 200.000,00 para pagar em 12 anos (144 meses) com LTV de 42,79% (sendo R$ 200.000,00 + despesas acessórias, para um apartamento avaliado em R$ 500.000,00) – Prestação inicial de R$ 2.894,10, com uma taxa de juros de 0,99% ao mês + IPCA, Sistema de Amortização Tabela Price. CET de 13,38% ao ano.”””


CASHME SOLUÇÕES FINANCEIRAS LTDA., com sede social na capital do estado de SP, na Rua do Rócio, nº 109, 3º andar, Sala 01 - Parte, Vila Olímpia, CEP 04.552-000, inscrita no CNPJ sob o no 34.175.529/0001-68

A CashMe, por sua vez, possui sede na Rua Olimpíadas, 242, 4º andar, CEP 04551-000, na cidade de São Paulo/SP.